
Sosseguem os leitores que não vou falar do homem nu que numa das rotundas de Tondela simboliza o Emigrante. Nada disso...
Vou falar, isso sim, dum homem bem vestido, bem cuidado, bem-falante, bem acomodado na vida, e um contador de anedotas que não deve ter rival cá no rectângulo.
Sempre gostei muito de anedotas, mas com uma preferência especial para aquelas que se referem a alguns políticos.
Aliás, os políticos a que me refiro, são já em si uma anedota, pois qualquer dicionário nos diz que ela (a anedota) é a narração rápida dum facto jocoso ou uma particularidade divertida ou imaginária.
E eles (os tais políticos) não passam disso mesmo: são tão divertidos e, sobretudo, tão imaginativos que constroem um mundo à sua medida e maneira, e julgam-se os seus donos e senhores.
Vaidosos e narcisistas é vê-los e ouvi-los a arengar as multidões contando estórias do arco-da-velha...
Nesta espécie de pré campanha para as presidenciais – que até agora se tem centrado mais em ataques pessoais do que na preocupação de salvaguardar o futuro de Portugal – tenho ouvido várias anedotas e historietas, mas a que serviu de mote para esta minha divagação de hoje foi aquela em que o Dr. Soares, numa das suas rondas pelo país e interpelado por um emigrante disse ter sido também, ele, emigrante!...
Não disse onde nem o que fazia, nem se foi a salto ou se partiu apenas com uma mala em cartão.
E também não explicou a razão ou o motivo que o levou a “apoderar-se” de uma palavra cujo significado nada tem a ver com o seu exílio dourado em Paris, se foi esse o intuito que parece ter transparecido da sua afirmação.
Para muitos, o caso pode não ter grande importância. No entanto, para os verdadeiros emigrantes, para aqueles que emigraram por necessidade, que emigraram em busca de melhores dias, que trabalharam duramente para depois regressar e construir casa, e sobretudo para os que depois de muito trabalho dor e sofrimento, perderam tudo, para esses, as palavras do candidato à presidência foram deveras infelizes. E inoportunas…
Por mais sábio que se seja, há coisas com que se não deve brincar – os sentimentos dos nossos semelhantes.
Pessoalmente não gostei que o Dr. Mário Soares usurpasse a palavra. Não gostei da comparação. Talvez não tivesse a mesma reacção se fosse outro político a fazê-lo. Mas dita por ele…
Lembram-se do homem que disse que todos tínhamos o direito à indignação?!...
Sem comentários:
Enviar um comentário