sexta-feira, março 21, 2014

O INCONSEGUIMENTO DO GOVERNO


 
Toda a gente sabe que o discurso político é, provavelmente, tão antigo quanto a vida do ser humano em sociedade. Já na Grécia antiga, o político era o cidadão da "pólis" (cidade, vida em sociedade), que, responsável pelos negócios públicos, decidia tudo em diálogo na "agora" (praça onde se realizavam as assembleias dos cidadãos), mediante palavras persuasivas. Daí o aparecimento do discurso político, baseado na retórica e na oratória, orientado para convencer o povo.
Este conceito tem vindo a esvaziar-se ao longo dos tempos e actualmente o discurso político é, na maior parte das vezes, um monólogo geralmente incompreendido pelo povo.
No meu tempo - no “antigamente” - dizia-se que Salazar mantinha o povoléu na ignorância para melhor o endrominar. Agora, que quase todos os cidadãos são doutores ou engenheiros, que todos sabem ler, escrever e contar,(?) há que inventar um novo vocabulário de maneira a que os “enteados” não percebam o que “os filhos da pátria” querem dizer nas suas manhosas lengalengas.
Por enteados queiram vossências saber que me refiro aos reformados que trabalharam uma vida inteira e agora vêem a sua mísera pensão retalhada e aos velhos, cuja reforma quase não chega para pagar a conta da Farmácia.
Mas voltando aos discurso, agora como nesses longínquos tempos, há que saber seduzir o “rebanho”, prometer-lhes verdes pastagens na ocasião apropriada, mas já com a ideia preconcebida de mandar fazer a “tosquia” logo que haja necessidade de angariar dinheiro.
E por falar em “rebanho”, hoje como ontem, e apesar de muito se falar em mudanças, “os carneiros”, tal os de Panúrgio, continuam a seguir em fila rumo ao abismo…
Mas vem este intróito, já um pouco longo, a propósito do vocabulário usado numa entrevista a uma rádio por uma senhora que se reformou ou a reformaram aos 42 anos depois de ter estado dez anos no Tribunal Constitucional e que agora ocupa o cargo de Presidente da Assembleia da República, auferindo uma pensão equivalente a 19 salários mínimos!
As palavras proferidas por Dona Assunção durante a sua arenga mostram à saciedade e duma maneira sui generis que a sabedoria do velho provérbio que nos diz que “com papas e bolos se enganam os tolos “ continua actual e com especial pertinência no discurso político.
Abram alas os lexicólogos e deixem passar estas novas sumidades que por detrás de palavras inexistentes nos dicionários, descaracterizando a nossa língua, renegando Fernando Pessoa, tentam dessa maneira camuflar todos os fracassos e todas as injustiças que têm cometido ao longo da sua governança. 
Ninguém deve ter percebido o que sua excelência quis dizer na sua, mas felizmente que o “inconseguimento” “frustracional” e o seu “soft power sagrado”, não conseguiram que o egoísmo e sobretudo a castração se propagasse em termos colectivos…
Mais um episódio a juntar a outros, e que nos vem mostrar que o “inconseguimento” do “ingoverno” é “frustracional” e castrador e que toda esta “palradela” serve também para nos “indeprimir”!...
 
 
 
 
 

 

 

 

 

 

 

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