domingo, abril 13, 2014
DA EDUCAÇÃO E BOAS MANEIRAS
Como
terão já deduzido através dos meus arrazoados semanais, não simpatizo muito com
gente arrogante, sobretudo com alguns daqueles a quem concedemos o “estatuto” e
que através dos nossos impostos lhes pagamos o salário e outras coisas mais…
Há
por aí gente a ocupar cargos e a polir o assento de certas cadeiras, cuja
educação e boas maneiras são coisas que nunca lhes ensinaram ou que não
quiseram aprender.
Não
pensem que estou a reclamar ou pedir tratamento especial. Estou a falar como
povo que sou. Completamente despido de quaisquer outros predicados ou funções
que em certas ocasiões possa ter ou representar. Há na sociedade normas mínimas
de convivência que devem ser respeitadas e há também maneiras de estar e de
proceder que não devem ser esquecidas, mormente e como acima disse, por aqueles
para quem uma quota-parte dos nossos impostos serve para no fim do mês lhes
pagar o salário. Que muitos nem merecem…
Não
sei quem disse uma vez que a educação e as boas maneiras constituíam uma
vitória sobre a animalidade. Houve mesmo quem lhes chamasse uma espécie de
“civilização de costumes.”
Além
de se ostentar o rótulo de civilizado, de doutorado ou de outro qualquer produto desta nova
sociedade, é necessário também possuir, ainda que minimamente, uns polvilhos de
boa educação.
Ela
é, indubitavelmente, uma estrutura social que serve de base ao estreitamento
das relações entre os homens. E é ela que não deixa e se opõe a que o social se
sobreponha ao individual. Por mais que se
seja, há sempre que respeitar o outro
que não é!...
É
essa a regra do saber viver em sociedade, de conciliar o civilizado com o
educado, que faz com que nasça e se forme o verdadeiro membro duma sociedade
equilibrada, humanizada e moralmente completa. A educação e as boas maneiras
constituem, ao mesmo tempo, um código da comunicação entre os homens.
Há
quem não faça caso dessas “funções sociais”, mas o certo é que sem o seu
cultivo e sem a sua prática, a civilidade em breve cederá o lugar à
incivilidade que por sua vez fará com que a civilização se transforme em
animalidade. Talvez pareça exagerada esta minha maneira de encarar o papel das
relações humanas tomando-as como alicerce da educação e das boas maneiras. Mas
é bom que não esqueçamos que é da mistura desses dois ingredientes que nasce a
humildade. E ser humilde para além de ser uma virtude, é uma das
características das grandes personalidades.
domingo, abril 06, 2014
domingo, março 30, 2014
HOMENS ILUSTRES DO TOURIGO
Padre
Inácio Ferreira Viegas
Para além do ensino público,
ensinava-se, também, em casas e escolas particulares – no Barreiro, pelo Padre Inácio Ferreira Viegas; em Tondela, no Externato
Tondelense, pelos professores José Lopes Coelho, José Gonçalves da Cruz e João
Martins de Almeida23 e, mais tarde, na casa da professora Maria da
Encarnação Ramos, onde se ministrava não só o ensino primário como, em alguns
casos, a preparação para a admissão aos liceus e ao magistério. (…)”
In “O Ensino das Primeiras Letras no concelho de Tondela, 1772-1910 –
António Manuel Matoso Martinho
O
Padre Inácio Ferreira Viegas, o Padre Mestre, como era conhecido, esteve à
frente de um Colégio aqui no Tourigo – o Colégio do Padre Mestre - que
funcionou na casa do Cónego Maximino, casa que ainda existe embora tenha sido
sujeita a algumas modificações arquitectónicas. Inácio Pereira Viegas era “um dos
Padres-Mestres mais eruditos e mais acreditados em toda a Beira junto do qual
fizeram os seus estudos preparatórios jovens estudantes que mais tarde se
notabilizaram.
Nessa
casa estiveram também, em 1970, as religiosas da Ordem da Imaculada Conceição –
Irmãs Concepcionistas.
HOMENS ILUSTRES DO TOURIGO
Dr.
Maximino de Matos Carvalho
Referimo-nos ao médico Maximino de Matos Carvalho, que foi Lente nessa
Instituição de Ensino Superior como reza a lista de “Lentes” dessa época. O
termo “Lente” já era usado na altura da fundação da Universidade em Portugal e
é sinónimo de Professor Catedrático, correspondendo ao topo da carreira docente
universitária.
Maximino de Matos Carvalho era irmão de D. José Manuel Carvalho que foi
Bispo de Macau, Timor e Angra do Heroísmo e também natural da nossa aldeia de
Tourigo.
HOMENS ILUSTRES DO TOURIGO
Bispo D. José Manuel de Carvalho:
1844-1904
D. José
Manuel de Carvalho (1844-1904), foi o 18º Bispo de Macau (1897 a 1902). Nasceu
no então lugar de Tourigo (Tondela), concluiu o curso do Seminário em Viseu e
foi ordenado sacerdote em 1867. Na Universidade de Coimbra formou-se em Direito
no ano de 1871 sendo depois professor do Liceu e no Seminário daquela cidade.
Por
iniciativa do conselheiro Jacinto Cândido da Silva, então Ministro da Marinha e
Ultramar e antigo colega universitário, foi apresentado a 4 de Fevereiro de
1897 para o lugar de bispo de Macau. Foi confirmado para o lugar por breve do
papa Leão XIII datado de 19 de Abril de 1897. Foi sagrado a 29 de Agosto
daquele ano, embarcando seguidamente para Macau. Durante o seu bispado, dividiu
Timor Português, naquela altura dependente da Diocese de Macau, em dois missões
centrais ou vicariatos gerais (Lahane e Soibada), em 1900. Nesse mesmo ano,
consagrou a diocese ao Sagrado Coração de Jesus. Apoiou as actividades
religiosas, educacionais e assistenciais oferecidas à diocese pelas Filhas
Canossianas da Caridade, que se expandiram para Hainão em 1901. Abriu uma nova
missão portuguesa em Heung-shan. Tanto Hainão como Heung-shan, que eram
territórios chineses livres da ocupação portuguesa, estavam sob jurisdição
eclesiástica da Diocese de Macau. Regressou a Lisboa por motivos de saúde, onde
chegou a 8 de Abril de 1901, seguindo depois para os Açores. Morreu em 1904.
in
Boletim Diocesano de Vizeu, Agosto de 1897 (reproduzido no jornal Eco
Macaense 27.02.1898)
sexta-feira, março 21, 2014
À GUISA DE PARÁBOLA
Era
grande a confusão que se vivia em todo o País e numa reunião de emergência com o
Monarca e os seus conselheiros, Apístolas, que era o mais velho e o mais sábio,
levantou-se e disse:
«-
Majestade! Vós que tendes o poder, porque não dissolveis o Palratório dos
“Duzentos e Trinta”?
Porque
não punis os seus membros por terem traído os sermões que fizeram? Não foram
eles que transformaram o Reino numa espécie de Jardim Zoológico?
Então,
em vez de homens, por que não escolheis dentre essa bicharada, três deles? Por
exemplo, um macaco, um papagaio e um burro?
O
macaco emite sons incompreensíveis, sem nexo gesticulando continuamente; o
papagaio repetirá as suas parvoíces e o burro limitar-se-á a abanar as orelhas
e a acenar com a cabeça numa imitação flagrante dos vossos contribuintes…»
E
perante a perplexidade do auditório, Apístolos continuou:
«-
Indo as coisas do Império tão mal, a situação não piorará com a nomeação de um
símio, de um psítaco e de um solípede. Se os homens políticos nada valem, nada
fazem, mas são vingativos, por que não os substituir por outras criaturas sem
valor, mas inofensivas?
Vede
como os homens escolhidos pelo povo para defender os seus direitos traíram a
sua confiança, desbarataram enormes somas de dinheiro e agora à míngua de
reservas, escravizam esse mesmo povo, tirando-lhe o pouco que ainda lhe restava.
Vede como o nosso património está a ser vendido ou hipotecado em troca de mais
dinheiro para que essa tribo de homens sem profissão continue a viver sem
trabalhar, a comer à tripa forra, a gastar sem limites, sujeitando o povo às
mais desumanas e miseráveis condições de vida. A agricultura e as indústrias,
essas fontes sólidas de riqueza, chegaram à última decadência. O povo mais
jovem emigra, mas o mais velho, porque não pode, sobrevive, afrontando
dificuldades sem fim. Os embaraços do tesouro aumentam, avolumando-se a dívida
pública. Os efeitos morais de toda essa situação não foram nada benéficos e o
ócio, o luxo e a corrupção instalaram-se em todo o território.
Por
tudo isso, Majestade, pensai na alegria do vosso Povo se tomardes essa decisão.
Os vossos bons e leais súbditos abençoar-vos-ão por os terdes livrado dessa
praga que quase ensandeceu o Reino…»
E
então, a multidão, surpreendida pela ousadia de Apístolas grudou os olhos na
boca do “todo-poderoso” esperando a reacção àqueles sábias palavras… Entretanto,
a porta abriu-se e três homens vestidos de negro, pertencentes à “TRÍADE”,
entraram no areópago, prenderam Apístolas e condenaram-no às galés... E assim,
o medo calou o povo!
Com
tudo isso, diz ainda o cronista, os vícios constitucionais amoleceram a têmpera
das antigas virtudes e até o patriotismo acabou por se estiolar, levando os
súbditos a admitir, sem qualquer relutância, a perspectiva de uma submissão a
outro qualquer país estrangeiro.
RAIZES
Hoje lembrei-me de meus Avós
maternos: de minha Avó Umbelina e de meu Avô Ezequiel. Não me perguntem porquê.
Não sei explicar….
E recreei aquele quadro que
tantas vezes vi: os dois sentados na cozinha onde, na lareira, três panelas de
ferro, daquelas antigas, com três pés, ferviam. De uma delas escorria, pelo seu
bojo, uma espécie de baba, que apagava as brasas quando chegava à pedra da
lareira.
Minha Avó, tenaz em punho,
apanhava-as e metias num pote de barro preto que estava junto a uma arca onde
se guardava a lenha. Terminada a recolha de todas as brasas, minha Avó punha o
testo na panela e, como é evidente, elas apagavam-se e ficavam de reserva para,
no dia seguinte, serem novamente utilizadas juntamente com outra lenha. No
poupar é que vai o ganho…
Num canto, uma trempe que
servia para suportar a frigideira quando havia qualquer coisa a fritar e uma
vasilha em barro preto, a chocolateira, como lhe chamavam, para fazer o café.
Café que era uma mistura onde predominava a cevada. Era interessante como a Avó
preparava a beberagem: enchia o recipiente de água, punha ao lume e quando
estava prestes a ferver, deitava duas colheres da mistura, metia uma brasa
incandescente dentro, tirava, esperava que a borra assentasse no fundo e estava
o café pronto a ser bebido!
Meu Avô cofiava as suas
compridas barbas brancas e parecia absorto na contemplação das espirais de fumo
que subiam, rodopiavam e desapareciam depois pela velha chaminé. A seus pés, a Cartuxa,
a gata já velhinha, dormia tranquilamente.
Numa saleta contígua à cozinha
havia uma enorme mesa antiga com uma grande gaveta onde se guardava a broa e,
por vezes, num prato, um pedaço de entremeada de porco, com muita gordura e que
era um dos manjares de meu Avô. E com que satisfação ele saboreava o petisco.
Chegava do quintal, dirigia-se à saleta, cortava uma fatia de broa e um naco de
carne com o seu canivete que sempre o acompanhava, sentava-se no escabelo já
todo picado do caruncho e dava gosto, então, vê-lo deliciar-se com o manjar,
regado com uma caneca de vinho da sua lavra!
Levantava-se depois, cofiava
as longas barbas sacudindo ao mesmo tempo as migalhas que pudessem ter ficado
da bucha e começava então outro ritual – a feitura do cigarro.
Uma onça de tabaco holandês,
um livrinho de mortalhas, e eis o Avô a enrolar o tabaco no papelinho. Duas
voltas entre o polegar e o indicador, uma passagem com a língua à guisa de cola
pela dobra… e cigarro na boca.
Duas pancadas na rodinha de
metal que roçava a pederneira e pronto… cigarro a arder normalmente.
Meu Avô Ezequiel era um homem
corpulento, que com a sua estatura, longas barbas brancas e o nariz adunco,
fazia lembrar um rabino!
Voltarei brevemente com outras
recordações do meu Avô das barbas…
NUM MUNDO DE FICÇÃO
Neste mundo andamos todos com o tempo
controlado. Mais dia, menos dia e, às vezes, sem tempo de fazer a mala, lá vai
o indígena de viagem… E tanto pode levar uma carta de recomendação para S.
Pedro, como uma carrada de processos arquivados para alimentar as fornalhas do
Inferno!
Vem isto a propósito dos cuidados que
devemos ter com a alimentação que fazemos. Como se não bastassem já as terríveis
doenças que não têm cura, os "cientistas" de serviço ameaçam-nos
agora com os venenos que diariamente ingerimos.
Dizem eles que desde a carne de vaca e
do mercúrio dos peixes do mar, passando pelos pesticidas dos legumes, pelos
metais pesados escondidos na água que bebemos, pelos nitritos da carne de porco,
pelas gorduras saturadas dos fritos,
pelo colesterol da manteiga, pelas hormonas dos galináceos, andamos a
meter cá para dentro coisas tão perigosas que é inevitável a explosão!...
Em face de todos esses perigos, e não só
porque foi sempre meu desejo morrer velho e são, mas também porque quero adiar
o mais possível a tal "viagem", decidi adoptar, como medida de
precaução, as regras adequadas. Portanto, nada de carne de vaca... Apenas a de
boi; peixe do mar, nem vê-lo... Apenas o enlatado; água, só para tomar banho...
Para o resto, vinho; carne de porco, não entra na salgadeira... Somente a de
porca; gorduras saturadas, nem pensar, porque fritos só com azeite virgem;
manteiga, só ao pequeno-almoço e carne de aves só a de patos bravos que é o que
mais abunda por aí...
No capítulo das sobremesas e por
questões orçamentais, substituímos muitas delas pelo queijo. E perguntar-me-ão
vossências: - "Mas por quê o queijo?” A que eu responderei: - Porque além de
ser rico em cálcio e fortalecer os ossos, diz um ditado antigo que, quem comer
muito, torna-se esquecido... E, meus senhores, nos tempos que correm, o
esquecimento é o melhor e mais barato antídoto contra a loucura que nos rodeia!
Quanto ao ambiente, tomámos também as
nossas precauções. Nada de cuspir para o ar... Antes fazê-lo para o chão.
Contra a poluição, contra cheiros e gases, e no intuito de contribuir para uma
atmosfera mais pura, erradicámos da alimentação os farináceos e, mais
especificamente, o feijão. No jardim, e para adubar as roseiras, em vez de
esterco, estamos a praticar a adubação virtual, espalhando, sobre a terra,
mãos-cheias de promessas - um processo que além de estar na moda é muito mais
barato... Podem estas medidas de nada servirem para adiar a partida para a
outra banda. No entanto, porque vivemos num país fictício, há que alimentar
sempre a esperança de que a ficção se converta em realidade!...
INTERROGAÇÕES
Sempre
a mesma interrogação a agigantar-se… Valerá a pena continuar a expor
publicamente os receios que, interiormente, me atormentam face aos
acontecimentos deste nosso complicado quotidiano?
Valerá
a pena apontar e denunciar os males que corroem a nossa sociedade? Valerá a
pena, neste nosso pequeno mundo materialista e desumanizado, dominado pelo
egoísmo, pelo dinheiro, pela política e pelo futebol, denunciar injustiças?
Valerá
a pena falar de pobreza, de exclusão social, de irresponsabilidade, de
prepotência, de abuso de poder, de descriminação, de incompetência e de falta
de humanismo?
Valerá
a pena chamar a atenção dos que têm tudo, e convidá-los a partilhar as sobras,
com os que nada têm?
Valerá
a pena, ir aos livros já esfarrapados da minha Universidade, – que foi a da
Vida – folheá-los, e apontar exemplos, citar experiências, transcrever
capítulos inteiros de factos vividos em que o trabalho, a humildade, a
perseverança, o respeito, a educação e a honra foram os elementos criadores de
homens íntegros, responsáveis, cumpridores, amantes da Verdade, da Justiça e da
Moral?
Conseguirei
penetrar no coração empedernido dos que vivem em mansões onde nada falta, e
acordá-los, convidando-os a espreitar a miséria, o frio e a fome dos milhares
de homens mulheres e crianças que vivem ou que se escondem nas ruas, por vezes,
debaixo de um pedaço de cartão?
Valerá
a pena apontar como urgente e imperiosa a necessidade da conjugação dos
esforços de todos para uma total humanização nos sectores da vida nacional,
mormente na saúde, na justiça, na educação e na segurança social?
Serei
capaz de convencer os que mandam, fazendo com que exerçam o seu trabalho com
inteligência, humanismo, justiça e com espírito de isenção e partilha?
Valerá
a pena apelar aos que ocupam os mais altos cargos, aos que detêm o poder de
decisão para que saiam dos seus confortáveis gabinetes de Lisboa e venham até
ao País real, – não de fugida para inaugurar um chafariz ou um quilómetro de
alcatrão – mas com tempo suficiente para se inteirarem do difícil dia-a-dia de
muitos dos que neles vão votaram?!...
O
drama das democracias reside essencialmente na infidelidade aos valores
cristãos que lhes servem de alicerce. Presentemente, o que acontece é que
enquanto se valoriza o dinheiro, assiste-se à vertiginosa desvalorização da
honra e da moral. Daí estas minhas interrogações e, por vezes, a minha revolta
perante tanta injustiça, tanta falta de escrúpulos e, sobretudo, tanta falta de
seriedade e de vergonha.
O INCONSEGUIMENTO DO GOVERNO
Toda a gente sabe que o discurso
político é, provavelmente, tão antigo quanto a vida do ser humano em sociedade.
Já na Grécia antiga, o político era o cidadão da "pólis" (cidade, vida
em sociedade), que, responsável pelos negócios públicos, decidia tudo em
diálogo na "agora" (praça onde se realizavam as assembleias dos
cidadãos), mediante palavras persuasivas. Daí o aparecimento do discurso
político, baseado na retórica e na oratória, orientado para convencer o povo.
Este conceito tem vindo a esvaziar-se ao
longo dos tempos e actualmente o discurso político é, na maior parte das vezes,
um monólogo geralmente incompreendido pelo povo.
No meu tempo - no “antigamente” -
dizia-se que Salazar mantinha o povoléu na ignorância para melhor o endrominar.
Agora, que quase todos os cidadãos são doutores ou engenheiros, que todos sabem
ler, escrever e contar,(?) há que inventar um novo vocabulário de maneira a que
os “enteados” não percebam o que “os filhos da pátria” querem dizer nas suas
manhosas lengalengas.
Por enteados queiram vossências saber
que me refiro aos reformados que trabalharam uma vida inteira e agora vêem a
sua mísera pensão retalhada e aos velhos, cuja reforma quase não chega para
pagar a conta da Farmácia.
Mas voltando aos discurso, agora como
nesses longínquos tempos, há que saber seduzir o “rebanho”, prometer-lhes
verdes pastagens na ocasião apropriada, mas já com a ideia preconcebida de
mandar fazer a “tosquia” logo que haja necessidade de angariar dinheiro.
E por falar em “rebanho”, hoje como
ontem, e apesar de muito se falar em mudanças, “os carneiros”, tal os de
Panúrgio, continuam a seguir em fila rumo ao abismo…
Mas vem este intróito, já um pouco
longo, a propósito do vocabulário usado numa entrevista a uma rádio por uma
senhora que se reformou ou a reformaram aos 42 anos depois de ter estado dez
anos no Tribunal Constitucional e que agora ocupa o cargo de Presidente da
Assembleia da República, auferindo uma pensão equivalente a 19 salários
mínimos!
As palavras proferidas por Dona Assunção
durante a sua arenga mostram à saciedade e duma maneira sui generis que a sabedoria do velho provérbio que nos diz
que “com papas e bolos se enganam os tolos “ continua actual e com especial
pertinência no discurso político.
Abram alas os lexicólogos e deixem
passar estas novas sumidades que por detrás de palavras inexistentes nos
dicionários, descaracterizando a nossa língua, renegando Fernando Pessoa,
tentam dessa maneira camuflar todos os fracassos e todas as injustiças que têm
cometido ao longo da sua governança.
Ninguém deve ter percebido o que sua
excelência quis dizer na sua, mas felizmente que o “inconseguimento”
“frustracional” e o seu “soft power sagrado”, não conseguiram que o egoísmo e
sobretudo a castração se propagasse em termos colectivos…
Mais um episódio a juntar a outros, e
que nos vem mostrar que o “inconseguimento” do “ingoverno” é “frustracional” e
castrador e que toda esta “palradela” serve também para nos “indeprimir”!...
A FALTA DE TOMATES
Muita
gente se queixa de que, nos supermercados, tudo ou quase tudo o que ali se
vende vem do estrangeiro.
À
medida que os dias passam menos produtos portugueses se vêem à venda. Não vou
aqui explicar os motivos que estão na base dessa escassez, pois todos sabemos a
que se deve tal situação. Enquanto os políticos não se virem obrigados a pegar
numa enxada para granjear aquilo que comem, a nossa agricultura não passará
desta cepa-torta e até com tendência a acabar de vez. Parece que até os
tomates, que havia em excesso, tem os dias contados…
Mas
como não gosto de dramatizar e prefiro, antes, encarar as coisas com humor, um
destes dias, ainda na cama, comecei a pensar e cheguei à conclusão de que,
afinal não deve haver nenhum País que se possa gabar de que tudo o que se come
ou se usa é exclusivamente obra sua.
Por
exemplo este pijama que tenho vestido é oriundo da China e a cama em que me deito
é um modelo concebido primitivamente na Pérsia ou na Ásia Menor.
O
relógio que me diz que são horas de levantar é invenção da Europa Medieval. Depois,
no quarto de banho, o vidro do espelho foi inventado pelos antigos Egípcios,
enquanto o emprego dos ladrilhos de cerâmica do chão, começou no próximo
Oriente e a porcelana do lavabo, na China.
A
banheira e demais objectos sanitários são cópias de modelos romanos. A barba é
também um rito instituído pelos sacerdotes do antigo Egipto, ao passo que o
sabonete foi inventado pelos antigos gauleses e a toalha com que me enxugo, é
turca!
As
roupas que visto são derivadas dos vestuários de peles dos antigos nómadas das
estepes asiáticas e fecham-se com botões cujos protótipos apareceram na Europa
no fim da Idade da Pedra!
A
tira de pano que ponho ao pescoço, que dá pelo nome de gravata, é um vestígio
dos xales que usavam os croatas do século XVII.
Venho
tomar o pequeno-almoço e tanto os líquidos como a comida são apresentados em
recipientes que tiveram origem também na China, ao passo que o garfo é uma invenção
da Itália medieval e a colher é uma cópia do modelo romano.
O
café é produzido por uma planta oriunda da Abissínia, a laranja foi aclimatada
na região mediterrânea e os cereais são provenientes de plantas cultivadas no
Próximo Oriente.
Terminada
a refeição, ao sair, ponho na cabeça um pedaço de feltro, a que chamam chapéu e
que foi inventado pelos nómadas do Oriente.
Receando
as fantasias do tempo, levo um guarda-chuva, inventado na India.
Posto
isto, meus amigos se, como dizem, o Mundo é uma bola que rebola e em cada volta
que dá, muda a face das coisas, esperemos que um dia possamos também exportar
alguns dos nossos fazedores de leis e com o dinheiro adquirido possamos
cultivar de novo, pelo menos, tudo o que comemos. Incluindo tomates. Que não os
de estufa. Mas os naturais e genuínos…
UM MUNDO LOUCO
Não restam dúvidas de que o amontoar dos
anos tem influência no funcionamento normal dos nossos neurónios.
E digo isso porque deve ser a ferrugem
nas engrenagens dos meus que faz com que eu tenha cada vez mais dificuldades em
compreender o mundo que me rodeia. É que, no meu entender, a vida actual
processa-se a um a um ritmo tão desordenado, tão falho de sentido e de valores
que não consigo vislumbrar uma alternativa para fugir do trilho que,
fatalmente, nos conduz à loucura. Anda tudo louco!...
Quanto a mim, o mais difícil é conseguir
a força mental necessária que me permita ficar indiferente ao que vejo, ao que
leio e ao que ouço. Parece ter-se perdido a noção da realidade. Os problemas
quer políticos quer sociais, são visto e encarados como meros combates ou
simples espectáculos. Os protagonistas insultam-se, agridem-se, e nos
intervalos exibem-se como palhaços de circo. É a confusão geral!...
Há cerca de dois anos, citando uma velha
máxima, escrevia eu: «onde todos mandam, ninguém manda, onde todos falam
ninguém se entende e onde todos roubam não há ladrões...» Lembro-me de que na
altura, um amigo me chamou a atenção para a última parte do aforismo, achando-a
ousada de mais. Recordo-me ter- lhe dito que provérbios são provérbios e que
não há regra sem excepção. Hoje talvez a minha resposta fosse diferente - se
nas duas primeiras partes, o aforismo se mantém actual, no que se refere à
parte final, infelizmente, as excepções, nesse capítulo, são cada vez menos.
É verdade que todas as sociedades têm
problemas. Mas para que haja justiça e coerência na sua resolução é necessário
que esses problemas sejam tratados de harmonia com o seu real valor e a sua
verdadeira essência. Entre nós, faz-se o contrário e envereda-se geralmente
pelo seu empolamento propositado, pela distorção, pela falta de rigor, pela
falta de isenção, acabando quase sempre pela falta de respeito e de ética.
Na Assembleia da República é
confrangedor e revoltante ver o procedimento de certos políticos que,
refastelados nas cadeiras, esbracejam e riem, descaradamente, após a
intervenção de um opositor. Os problemas mais importantes não se resolvem e
passa-se o tempo em discussões estéreis, falando de tudo, menos do que
interessa verdadeiramente ao País. Poucos trabalham e os que o querem fazer dificulta-se-lhes
a vida… Um País sem rei nem roque! Um país virtual, pois agora até dizem que a
“situação” está a melhorar!
Até as anedotas são mal contadas. E o resultado
de tudo isto é a insegurança, a descrença e o mal-estar social. Não há dinheiro
que chegue e nada mais fácil para o conseguir do que tosquiar o “rebanho” até o
sangue jorrar. O que gera mais confusão na minha cabeça é que com todos estes
actos tresloucados, haja ainda muita gente que, quando se fala em doidos, pense
apenas nos manicómios!
sábado, março 01, 2014
sábado, fevereiro 08, 2014
NA IGREJA - COMEMORAÇÃO DOS 25 ANOS DA PARÓQUIA
Embora
só em 15 de Janeiro de 1989 a Paróquia do Tourigo tenha sido criada e
oficializada pelo então Bispo da Diocese D. António Monteiro, sendo Pároco o
Padre Bernardo Simões, já há muitos anos que a povoação do Tourigo se podia
considerar uma autêntica comunidade de fé.
Os
valores cristãos vêm de longe e de tal maneira ficaram enraizados que ainda
hoje prevalecem.
Com
a elevação do Tourigo a freguesia - uma ideia há muito ansiada pela população -
a criação da Paróquia agigantou-se e teve a sua concretização na data acima
enunciada.
Poderíamos
ir mais longe no tempo, mas basta irmos aos princípios do século dezanove em
que existiu na povoação um Colégio, dirigido pelo erudito pároco Pe. Inácio
Pereira Viegas, um dos Padres mestres mais acreditados em toda a Beira Alta.
Nessa
altura a par da religiosidade do povo estava já muito divulgada a instrução e
quase toda a gente sabia ler.
O
Tourigo pode também orgulhar-se de ter sido berço de um ilustre Bispo, D. José
Manuel de Carvalho que viria a ser Bispo de Macau e Timor e depois de Angra de
Heroísmo. Seu sobrinho e secretário, Cónego Maximino Pereira Viegas seguiu o
caminho traçado, exercendo aqui o seu sacerdócio e mandando construir em 1943 a
Igreja onde hoje nos encontramos.
Referimos
também a passagem pelo Tourigo das Irmãs Concepcionistas da Ordem da Imaculada
Conceição que agora se encontram em Viseu e que permaneceram no Tourigo alguns
anos por vontade de D. Hermínia, irmã do Senhor Cónego Maximino.
Outras
figuras se destacaram na história cristã do Tourigo como é o caso de Cândida de
Matos em religião Irmã Maria de Belém, do Padre Graciano, do Cónego Benito
Bragança, do Padre Armando Costa, e de um Padre que merece especial referência
que foi o saudoso Padre Bernardo Simões percursor da criação da Paróquia a quem
se devem quase todas as iniciativas de caracter religioso, que hoje ainda
prevalecem. De referir, a esse respeito, a estruturação da Paróquia segundo as
orientações do Concílio Vaticano II – com a criação do conselho pastoral,
conselho económico, tudo isto com a ajuda preciosa de leigos que se têm
dedicado á paróquia com grade dedicação e empenho.
Estamos
a tentar desenvolver, num pequeno opúsculo, mais em pormenor a vivência cristã
da nossa Paróquia.
LENDA BÚLGARA
Quando
somos surpreendidos com o anúncio da morte de alguém que nos é querido ou de
alguém a quem estamos ligados por laços de amizade, há sempre um espaço de
tempo, um vazio, uma espécie de incredulidade que medeia entre o sonho e a
realidade!...
E
são sempre as mesmas expressões que, espontaneamente nos saem dos lábios: «Quem
diria que isto ia acontecer…» «Parece um sonho!...» «De um momento para o outro
somos nada!...»
Mas
é assim a Morte: imprevisível, traiçoeira e inesperada!...
E
a pensar em tudo isso lembrei-me de uma lenda búlgara que li há anos e que vou
contar:
Diz-se
que certo dia Deus mandou a Morte ao mundo buscar a alma de um pai de família.
A morte pegou do seu gadanho e dispôs-se a cumprir as ordens do Senhor. Bateu à
porta e logo a dona de casa que era muito benfazeja, lhe ofereceu pousada e lhe
pôs a mesa para que comesse.
-
Não preciso de nada! - Respondeu a desconhecida. Venho apenas buscar a alma do
teu marido.
Seguiu-se
grande pranto: - «Ai que fico desgraçada sem pão para os meus filhinhos!» -
bradava a esposa. - «Ai que ficamos orfãozinhos!» - choramingavam as crianças
agarrando-se à Morte e pedindo-lhe que as atendesse...
E
então a morte comoveu-se e deixou-os em paz. Entrou depois no Paraíso,
disfarçadamente, julgando que Deus se esqueceria do recado que dera. Mas o pai
do Céu não tardou a chamá-la a contas: - «Onde está a alma que te mandei
trazer?» A morte desculpou-se a tremer:
-
«Ó Senhor eram tantas as lágrimas e as súplicas das criancinhas que não tive
coração de deixar aquela família em tamanha tristeza e penúria. Lembrei-me que
seria mais acertado tirar do mundo tantos outros que nada produzem e que não
fazem falta...»
E
Deus com o rosto severo mandou de novo:- «Desce ao fundo do mar e apanha a primeira pedra que encontrares...»
A
morte obedeceu e trouxe a pedra. - «Abre-a ao meio e diz-me quem criou o
vermezinho que lá mora?» - «Fostes vós, Senhor!» - «Quem o alimenta?» - «Sois
vós, Senhor!»
-
«Ora se eu cuidei de um vermezinho que se cria no fundo do mar, pensas que me
esquecerei dos filhos dos homens?!...»
E
continuou: - «Doravante serás cega para não veres se são grandes ou pequenos,
casados ou solteiros os que te mandar buscar. Serás surda para não ouvires os
seus lamentos e serás muda para não dizeres ao que vais...»
E
desde então a morte ficou cega, surda e muda e quando chega, vem disfarçada e
ninguém a conhece... Aqui fica a história. E apesar de não passar de uma lenda, ela esconde, debaixo do seu manto de fantasia, uma realidade à qual ninguém pode ficar indiferente.
OS PREPOTENTES E INFALÍVEIS
Tive sempre muita dificuldade em conviver ou trabalhar com pessoas
prepotentes. Infelizmente, pese embora as penosas circunstâncias em que
vivemos, o que mais se vê por aí são esses exemplares presunçosos, egoístas e
geralmente mal formados.
O principal problema da prepotência é que ela parte de um princípio
absolutamente improvável.
O prepotente julga-se sempre o mais apto, o melhor, o mais capacitado,
o mais conhecedor seja qual for a área em que exerce a sua influência. Muitos
deles conseguem até pensar que são “mais” e “melhores” em várias áreas
simultaneamente!
Os prepotentes são pessoas de difícil trato, conseguem afastar os
outros de si mesmo, estabelecendo uma certa distância em relação aos demais.
Não são sociáveis, mas não percebem por que não o conseguem.
Os prepotentes têm complexos de inferioridade e por isso espezinham os
outros, porque não conseguem suportar o seu sentimento interno de pequenez.
Um dos postulados mais básicos da filosofia já diz que, quanto mais se
sabe, mais se sabe que não se sabe nada ou, dito de outra maneira, quanto mais
conhecimento se adquire, mais se tem a noção de que ainda se tem muito que
aprender.
Há ainda uma outra característica, talvez ainda mais perigosa, que é a
infalibilidade. Os prepotentes acreditam que são infalíveis.
Eles nunca erram. Ou, se erram, não admitem que a culpa possa vir deles
próprios. A culpa é sempre e só dos outros.
Como a prepotência anda sempre de braço dado com a arrogância - ambas
filhas do mesmo complexo de inferioridade - o prepotente defende-se, passando
certificados de ignorância e de incapacidade a tudo e a todos, sem nunca
assumir que alguma vez se possa ter enganado.
Talvez eu tenha sido educado de forma errada mas, para mim, errar faz
parte do processo de aprender. Para o prepotente, porém, a palavra “errar” não
existe.
Nenhuma criança começa a caminhar quando completa nove meses de idade.
Tudo, na Natureza, é feito por etapas, tudo faz parte de um processo: a criança
começa por gatinhar, por dar quedas, por se levantar, manter-se uns instantes
de pé e só depois de algum tempo consegue manter o equilíbrio e, finalmente
atingir o modo normal da locomoção.
Durante a minha já longa caminhada tenho notado que aqueles que querem
correr mais depressa subestimando a marcha do companheiro do lado, geralmente
acabam, de facto, por chegar primeiro, mas enchem-se de tanta sapiência balofa
que, terminam o “percurso” sozinhos, sem amigos que os aplaudam. Aprender a ser
um cidadão de corpo inteiro é um processo crescimento contínuo. E esse crescimento deve ser acompanhado de
muita compreensão, de muito respeito pelos outros e sobretudo de muita
humildade. Infelizmente vivemos numa sociedade onde o poder se confunde com
prepotência. Não há vergonha, não há integridade. O nosso quotidiano é fértil
nesses episódios.
TRABALHAR?!...
Apesar de esta história ser antiga e de
se ter passado há muitos séculos, ainda continuamos todos a sofrer as suas
consequências. Mas vamos a ela: era uma vez um senhor chamado Adão…
Adão e a companheira viviam
regaladamente num local chamado Paraíso sem quaisquer preocupações, sem pagar
renda de casa, isentos de IRS ou outros quaisquer impostos, sem presidentes,
sem ministros, sem oposição, sem deputados, sem televisão, sem internet, sem
telemóveis, sem poluição, alumiados apenas pela luz das estrelas!
Um dia, porém, Adão deixou-se levar pela
conversa da consorte e desobedeceu a ordens superiores…
Vestiu fato de apurado corte, pôs
gravata, arvorou-se naquilo a que hoje poderemos chamar de líder, encheu o
peito de ar, queixou-se da falta de víveres frescos e trincou a maçã!...
E Deus não gostou! E indignou-se! E
pô-los fora de casa tirando-lhes todas as regalias.
E à guisa de condenação deu-lhes como
castigo – extensivo a todas as gerações vindouras - o cumprimento de uma tarefa
humilhante e pesada a que deu o nome de Trabalho!
E aqui tendes caros leitores a
verdadeira causa de todas as desgraças que atingem o Mundo e em particular o
nosso rectângulo – O TRABALHO!Não é por acaso que todos fogem dele. Aliás, com alguma razão, penso eu, pois tendo ele nascido de uma condenação divina, não deveriam, os crentes, excomungá-lo e evitar até qualquer privacidade com ele?
Seguindo esse critério e salvo opiniões
em contrário dos especialistas na matéria, obrigar alguém a trabalhar não será
um pecado? Não será incorrer na negação daquilo que nos ensinaram sobre a
existência do tal Paraíso?
Há quem condene os grevistas que fogem do
trabalho como o diabo da cruz, mas bem vistas as coisas, algumas razões lhes
assistem…
Aliás, se não houvesse trabalho, já
repararam nos males que deixariam de nos afligir?
Não haveria impostos, não haveria
sindicatos, não haveria greves, não haveria falências, não haveria ladrões por
que não havia dinheiro; não haveria partidos políticos, porque não havia quem
os subsidiasse; enfim, não havia tantas outras coisas más e tanta pouca
vergonha...
Mas há ainda aqueles que defendem o
trabalho e que não cessam de lhe atribuir predicados: “que o trabalho dá saúde,
que sem trabalho não há pão, que o trabalho enobrece…”
E são, sobretudo, os “feitores” e os
capatazes cá da quinta, que lançam esses boatos hipócrita e disfarçadamente,
pois na verdade são os que menos fazem, mas que mais proveitos têm. Sem
trabalhar…Dir-me-ão que o que escrevi é uma forma jocosa de encarar um facto sério… É verdade. Mas também não é verdade que hoje tudo o que é sério é encarado com leviandade?
PERGUNTA SEM RESPOSTA
Como é possível que um
ser capaz de pensar, sentir e de se cultivar tenha tido, ao que tudo indica,
como primeiro antecedente, essa enorme família que é a dos grandes macacos?
Como e em que circunstância pode ele tornar-se nesta criatura elegante
capaz de andar, de raciocinar, e graças à sua determinação e à tecnologia que
criou, chegar ao ponto de dominar o Mundo?
Os “prés-homens” de há um milhão de anos caçavam, cultivavam plantas e viviam,
devendo a sua subsistência ao respeito que nutriam pelo mundo que os rodeava.
Nós, “homo sapiens-sapiens”, fazemos guerras, exploramos sistematicamente as
reservas limitadas do meio em que vivemos, acreditamos na sua duração eterna e
tapamos propositadamente os olhos para não vermos as injustiças, as guerras e a
miséria!
Dizem alguns sábios que é devido a essa origem comum com o reino animal que
herdámos um instinto agressivo que necessita de ser extravasado.
E invocam para o justificar o facto de num determinado momento da nossa
evolução, termos deixado de ser vegetarianos e começarmos a matar, não só a
caça, mas também o nosso semelhante…
Teoria talvez um pouco controversa, mas cuja discussão, no contexto dos
tempos que estamos a atravessar, mereceria uma análise mais profunda, pois a
evidência de certos factos e a explosão de alguns instintos bárbaros, são
factores por de mais importantes para serem ignorados. Ainda que isso seja da
exclusiva competência dos paleoantropólogos, ninguém, no entanto, me pode
proibir de ter sobre o assunto a minha opinião. O simples facto de assistir,
por vezes, a comportamentos tão primitivos quanto cruéis, leva-me a concluir
que a evolução do ser humano atingiu o topo da escala e fiel às origens ele
começa a inverter a marcha e não tardará muito que ele não vista de novo a pele
do falecido pai, o famoso “Ramapithecos”!
E então será o seu regresso ao estatuto inicial de simples humanóide, sem
qualquer diferença que o distinga dos membros da sua longínqua família.No entanto não deixa de ser angustiante ver o homem, com um poder quase ilimitado, tornar-se incapaz de se controlar, contribuindo, ele próprio, para a sua destruição.
Sem pessimismos exagerados, mas olhando a dura realidade do dia-a-dia, não restam dúvidas que o Mundo se está a transformar numa grande floresta de anões indefesos…
Anões indefessos enfrentando gigantes tirânicos, que acompanhados pelo
palrar dos papagaios e pelas momices bem orquestradas dos detentores do poder,
depois de banquetes pantagruélicos e à guisa de eructações animalescas, vomitam
leis em alívio próprio e desgraça alheia – é assim a versão moderna do
primitivismo. E é por isso que, por vezes, eu pergunto a mim mesmo como será o
homem do futuro….
Será um deus que caiu da abóboda etérea e ainda se lembra de onde veio ou
um simples humanóide que emergiu da lama e a ela quer regressar?
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