terça-feira, outubro 30, 2012
EU SOU...
Eu sou os livros que leio, os lugares que conheço, as pessoas que amo.
Eu sou as orações que faço, as cartas que recebo, os sonhos que tenho.
Eu sou as decepções por que passei, as pessoas que perdi, as dificuldades que superei.
Eu sou as coisas que descobri, as lições que aprendi, os amigos que encontrei.
Eu sou os pedaços de mim que levaram, os pedaços de alguns que ficaram, as memórias que trago.
Eu sou as cores que gosto, os perfumes que uso, as músicas que ouço.
Eu sou os beijos que dei, sou aquilo que deixei e aquilo que escolhi.
Eu sou cada sorriso que abri, cada lágrima que caiu, cada vez que menti.
Eu sou cada um dos meus erros, cada perdão que não soube dar, cada palavra que calei.
Eu sou cada conquista alcançada, cada emoção controlada, cada laço que criei.
Eu sou cada promessa cumprida, cada calúnia sofrida, a indiferença que se formou.
Eu sou o braço que poucas vezes torceu, a mão que muitas vezes se estendeu, a boca que não se calou.
Eu sou as lembranças que tenho, os objectivos que traço, as mudanças que sofrerei.
Eu sou a infância que tive, sou a fé que carrego e o destino que reinventei."
Autor desconhecido (ou talvez não)
sábado, setembro 08, 2012
CALAR...NUNCA!
A
propósito da minha crónica da semana passada telefonou-me pessoa amiga dizendo-me
que deveria ser mais “meigo” quando me refiro à nossa classe política. É que –
dizia ele – nada ganhas e só angarias inimizades.
Agradeci,
mas logo informei que era coisa que não poderia prometer e isso por várias
razões. A primeira, porque tudo o que escrevo acerca da classe, é verdade, ressalvando, claro, algumas excepções. Depois,
porque, (Soares dixit) toda a gente tem direito à indignação. E a terceira é
porque nunca pactuei com a hipocrisia e não gosto de bater palmas na rua e,
janelas fechadas, criticar ou maldizer quem quer que seja. Fui, sou e
continuarei a ser frontal. Sem papas na língua. Quando alguém se sentir atingido
pelos meus desabafos nada mais tem a fazer do que responder. Eu cá estarei para
me defender.
O que
não posso é calar o que me vai na alma. E uma parte – ainda que pequena – da
situação a que chegámos é também filha da acomodação de muitos. Como todos
sabemos grande parte dos cidadãos deste país acoberta-se temerosamente num
silêncio cúmplice e vergonhoso. Os membros dessa ‘irmandade’ têm “rabos-de-palha”
e por isso evitam provocar faíscas, não vá o diabo tecê-las. E calam-se!...
Não é
preciso nenhum diploma universitário nem mesmo daqueles que
se obtêm
ao Domingo ou por inerência do cargo que se ocupa, para perceber a marosca,
para não lhe chamar roubalheira.
Analisem
com atenção uma factura da água, de electricidade ou de qualquer outro serviço
público. Verifiquem o total. Vejam o que realmente gastaram e subtraiam os
impostos – a fatia que vai para o Governo. Nalguns casos é mais do dobro, que
vai servir para satisfazer a cupidez pelo poder e a ganância pelo dinheiro de
uns tantos fulanos!...
E se
falarmos noutros impostos, em Ivas em
Imis, no dos combustíveis, etc.,
etc., então a coisa ainda pia mais fino.
Que
paguemos o que gastamos e mais uma percentagem normal para remediar a despesas
próprias dos serviços, entende-se. É normal e justo. Agora pagar o que não
gastámos nem desviámos e alimentar uma classe parasitária a maior parte sem
prática de vida sem experiência, sem uma pequena amostra de solidariedade para
os que menos têm, isso não!
Podemos
dizer, sintetizando, que temos tido uma política que assenta num diabólico
binómio – prejuízos públicos, lucros privados. Será que alguém me desmente?
Para
terminar, gostaria de transcrever as palavras de Adriano Moreira – uma
referência a todos os níveis – proferidas há dias na Universidade de Verão do PSD:
“Há um limite, que é a fadiga tributária, e nós não podemos atingir
esse ponto. Qualquer responsável tem de estar muito atento a isso porque a
prova de civismo da população tem sido enorme. Há manifestações sempre com uma
ordem que, com o que tem acontecido na Europa, é exemplar, mas tem de se pensar
neste ponto. A fadiga tributária é um facto que não pode ser ultrapassado…”
EI-LOS QUE CHEGAM...
Não obstante o facto de possuirmos
uma Língua riquíssima e com um vocabulário abundantíssimo, nós, como bons
imitadores que sempre fomos, e esguichando engenho e arte por todos os poros,
quando não imitamos... copiamos.
E vai daí, com esta nossa bazófia de
querer mostrar ao mundo que somos os melhores, lá fomos surripiar o termo e, como a história do gato maltês que
tocava piano e falava francês, passámos a designar o regresso dos nossos
políticos ao seu "bem-bom," pelo vocábulo francês rentrée...
Não sabemos quando nem quem se
apropriou da palavra. Mas quem o fez não era estúpido de todo!... É que a palavra
rentrée, segundo Pierre Larousse, – o
lexicógrafo francês bem conhecido de todos nós – emprega-se, essencialmente, no
sentido de rentrée des classes, isto
é, o regresso das crianças à escola!
Portanto, quem pela primeira vez
empregou o termo sabia o que fazia e deu-lhe a interpretação devida! Então não
são quase todos os nossos políticos umas crianças
grandes que cresceram por fora e continuam anões por dentro?!... Ou dito de
outra maneira: não são alguns dos nossos políticos, meninos imberbes ou de
caricatas barbichas, mimados, troca-tintas encartados e completamente alheios à
realidade da vida?!...
Assim sendo, venha então a escola.
Que eles bem precisam de lições. Mas qual o quê?...
Infelizmente, a vontade de aprender,
de conhecer, de bem administrar, de bem gerir, parece não ser apanágio da
classe.
Mas viva a rentrée!... E foi festa aqui, comício acolá, e convívio mais além. Foi
marisco no litoral, feijoada no interior, tripas no Norte e cataplana no Sul. Foi
fanfarra na aldeia, Boys-Band nas
cidades, mas sempre tudo programado de maneira a que a televisão mostrasse o
interior do chapiteau com todos os
artistas: palhaços, domadores, trapezistas, engolidores de espadas, ursos
amestrados e a respectiva moldura humana com figurantes ensaiados e basbaques
que batiam palmam muitas vezes sem saberem porquê!
Viva a rentrée! Ei-los que chegam! Bronzeados, palradores, aí estão de
novo os charlatães – sorridentes e palavrosos, maletas cheias de nada, prontos
para venderem mais uns quilos de banha de cobra. Ei-los que chegam. Contentes,
morenaços, descomplexados, eles aí estão de novo e com o seu nacional-porreirismo ao mais alto nível!
Não há diferenças entre eles, seja
qual for a ideologia que adoptem. E a nossa recente história política é bem
clara – quando se trata de dinheiro toda a gente é da mesma religião.
EI-LOS QUE CHEGAM...
Não obstante o facto de possuirmos
uma Língua riquíssima e com um vocabulárioabundantíssimo, nós, como bons
imitadores que sempre fomos, e esguichando engenho e arte por todos os poros,
quando não imitamos... copiamos.
E vai daí, com esta nossa bazófia de
querer mostrar ao mundo que somos os melhores, lá fomos surripiar o termo e, como a história do gato maltês que
tocava piano e falava francês, passámos a designar o regresso dos nossos
políticos ao seu "bem-bom," pelo vocábulo francês rentrée...
Não sabemos quando nem quem se
apropriou da palavra. Mas quem o fez não era estúpido de todo!... É que a palavra
rentrée, segundo Pierre Larousse, – o
lexicógrafo francês bem conhecido de todos nós – emprega-se, essencialmente, no
sentido de rentrée des classes, isto
é, o regresso das crianças à escola!
Portanto, quem pela primeira vez
empregou o termo sabia o que fazia e deu-lhe a interpretação devida! Então não
são quase todos os nossos políticos umas crianças
grandes que cresceram por fora e continuam anões por dentro?!... Ou dito de
outra maneira: não são alguns dos nossos políticos, meninos imberbes ou de
caricatas barbichas, mimados, troca-tintas encartados e completamente alheios à
realidade da vida?!...
Assim sendo, venha então a escola.
Que eles bem precisam de lições. Mas qual o quê?...
Infelizmente, a vontade de aprender,
de conhecer, de bem administrar, de bem gerir, parece não ser apanágio da
classe.
Mas viva a rentrée!... E foi festa aqui, comício acolá, e convívio mais além. Foi
marisco no litoral, feijoada no interior, tripas no Norte e cataplana no Sul. Foi
fanfarra na aldeia, Boys-Band nas
cidades, mas sempre tudo programado de maneira a que a televisão mostrasse o
interior do chapiteau com todos os
artistas: palhaços, domadores, trapezistas, engolidores de espadas, ursos
amestrados e a respectiva moldura humana com figurantes ensaiados e basbaques
que batiam palmam muitas vezes sem saberem porquê!
Viva a rentrée! Ei-los que chegam! Bronzeados, palradores, aí estão de
novo os charlatães – sorridentes e palavrosos, maletas cheias de nada, prontos
para venderem mais uns quilos de banha de cobra. Ei-los que chegam. Contentes,
morenaços, descomplexados, eles aí estão de novo e com o seu nacional-porreirismo ao mais alto nível!
Não há diferenças entre eles, seja
qual for a ideologia que adoptem. E a nossa recente história política é bem
clara – quando se trata de dinheiro toda a gente é da mesma religião.
domingo, agosto 26, 2012
UM PAÍS QUE VAI MORRENDO AOS POUCOS
O
tempo voa, os anos vão-se amontoando e não só a capacidade intelectual vai
diminuindo como também se vai esgotando a paciência para enfrentar esta onda de
oportunismo e de espírito mercenário.
E
se não há dia em que não confie ao meu diário as minhas angústias, as minhas
frustrações, as minhas alegrias, as minhas desilusões e também as minhas
esperanças, o certo é que, à medida que eles passam, a vontade de as
exteriorizar e confessá-las publicamente, vai-se esgotando a pouco e pouco.
Embora dotado de um espírito aberto e gregário, sempre me repugnou uma certa
espécie de promiscuidade. Não no capítulo das ideias porque nunca diferenciei
raças, castas, credos ou ideologias. Porém, em questões de ética e dos seus
princípios, mal o seu desrespeito se vislumbra, não há gregarismo que resista.
Infelizmente,
há que admitir que está assim o mundo em que vivemos. Fútil e traiçoeiro.
Vive-se num pantanal de cinismo. Rodeia-nos uma floresta onde a hipocrisia
cresce sem parar. E como teia de aranha, ela estende-se a todos os ramos. E
nessa urdidura de ambições, louva-se ou condena-se, incensa-se ou conspurca-se,
conforme os interesses em causa. E quase sempre sem olhar a consequências, nem
avaliar possíveis danos morais. É uma espécie de luta sem regras onde tudo é
permitido para se chegar à vitória.
E
neste universo de interesses inconfessáveis cresce a olhos vistos a vontade de
ser deus de qualquer coisa. E é assim, e dessa maneira, que o nosso dia a dia
está cheio de especialistas analfabetos e de vigaristas transformados em
heróis.!...
Desviei-me
talvez um pouco do tema inicial desta crónica, mas é muito difícil, ao abordarmos
qualquer assunto, mantermo-nos imunes e alheios a toda esta balbúrdia que nos
rodeia. Numa sociedade materialista e desumanizada é impossível fugir às ondas
de choque motivadas pela derrocada dos seus valores. Daí as minhas zangas e
desavenças constantes com esta "democracia por turnos" que caminha de
braço dado com esta degradação galopante dos princípios que deveriam nortear o
seu funcionamento. Uma democracia já com idade para se portar como adulta, mas
que no seu percurso continua traquina, inconstante, leviana e irresponsável.
Tudo é jogo e espectáculo. O palco está a abarrotar de pedantes e ambiciosos.
Há
teóricos, tecnocratas e doutores por toda a parte. Mas cada vez menos gente que
trabalhe. São cada vez mais os barrigudos e com contas bancárias tão dilatadas
como os seus ventres!
O
povo português tem ideal, é arrojado, tem vontade e tem mostrado que é capaz de
igualar outros povos; mas os exemplos que vêm de cima são tão maus, que tiram a
esperança ao mais optimista.
domingo, julho 29, 2012
AINDA FALANDO DE BURROS...
Ainda a
propósito do assunto da minha crónica anterior, já nos longínquos tempos da
minha meninice havia em certas localidades um ferrador, que era um indivíduo que tinha como profissão tratar do
“calçado” das alimárias, mais especificamente dos cavalos e das éguas.
Quando o homem começou a
servir-se destes animais para executar os seus trabalhos, tanto para a sua
própria locomoção como para o trabalho da agricultura, apercebeu-se que o ponto
fraco dos bichos era o casco – as unhas dos solípedes.
Em terreno pedregoso, por vezes,
os cascos sofriam cortes e impossibilitavam os animais de cumprir as suas
tarefas, chegando mesmo a obrigar à sua imobilização.
Era, por isso, necessário
protegê-los. Para o efeito, e segundo livros antigos, teriam sido feitas
diversas tentativas com o material da época, como couro, cordas, etc., até que
surgiu o ferro que foi moldado no formato dos cascos, e que deu origem àquilo a
que passou a chamar-se ferradura.
A ferradura era colocada na forja
e, quando incandescente, era batida na bigorna e ajustada ao casco do animal.
Seguia-se depois a sua aplicação por meio de cravos, uma espécie de pregos, que
sem ferir o animal, a seguravam.
Parece que estou ainda a ver o
senhor José ferrador, de avental de couro, martelo em punho, batendo o ferro e
moldando sobre a bigorna, a ferradura incandescente para aplicar nos cascos do
animal – cavalo ou égua – que, pacientemente, esperava “os sapatos” novos
encurralado, entre duas tábuas!
Não me lembro de ter visto ou
ouvido dizer que igual forma de calçado tivesse sido aplicado, na minha região,
quer a um jumento, quer a um burro e sempre atribui tal facto à falta de
“linhagem” dessa categoria de solípedes que eram considerados de segunda
classe. Cavalo é cavalo, e burro é burro. Nada de confusões…
E como o burburinho dos diplomas
e das “licenciaturas relâmpago” ainda não cessou, lembrei-me daquela historieta
passada no tempo em que os animais falavam. E era assim... Havia um ricaço que
apesar de todo o seu dinheiro, não sabia ler nem escrever. Um dia disseram-lhe
que tinha aberto uma repartição do Estado onde vendiam certificados de doutor
mediante o pagamento de uma avultada soma.
O homem informou-se, e um dia
apresentou-se no local onde, em troca de um saco de ouro, lhe deram um título
de doutor. Na volta, logo avisou o cavalo: “Cautela com os tropeções. Agora que
sou doutor, cuidado com o trote…” O cavalo engoliu em seco e logo pensou em ir
também comprar um certificado igual para ficar à altura do dono. E foi. Mas não
o obteve, pois logo o informaram “que não... que não, que esses diplomas especiais
e instantâneos não se destinavam a cavalos. Eram só para burros...”. Qualquer
semelhança entre esta historieta e o que recentemente se tem passado cá no
rectângulo no que diz respeito a licenciaturas pode não ser mera coincidência.
O SENHOR DOUTOR SABE ASSINAR?
O senhor doutor sabe assinar?...
Hoje,
aliás como todos sabem, ideologicamente falando, as palavras esquerda, direita
e centro já não existem. E se ainda constam dos dicionários, na política, esses
vocábulos perderam completamente o seu verdadeiro significado.
Não há
diferenças entre eles. Os três passaram de antónimos a sinónimos, e juntos,
representam um conjunto de interesses, divergindo apenas nas respectivas
siglas.
O
objectivo comum dos seus usuários é o estatuto pessoal. Cada qual tenta à sua
maneira tratar da sua vidinha e a dos outros, a do povo que ainda trabalha, que
se lixe.
Infelizmente
chegámos a um ponto em que não podemos confiar em nenhum dos representantes
partidários que tomam assento nas fofas cadeiras da Assembleia da República.
Aqui há
tempos ainda podíamos apresentar excepções ou tomar fulano ou sicrano como
exemplos a seguir para conseguirmos sair deste lodaçal para onde nos
empurraram. Agora acabaram-se as excepções e os exemplos. Parece haver uma
espécie de combinação entre todos – governo e oposição – e os ataques e
insultos que vemos ou ouvimos entre eles são apenas uma espécie de fogo de
artifício para pôr a malta a olhar para o ar e esquecer o que se passa a seus
pés.
Estamos
numa época em que vale tudo, Tudo é permitido, tudo é perdoado. Mas só aos
graúdos, que o pequenito paga tudo com língua de palmo. E que bem falam, que
carinhosos são os nossos políticos quando querem adormecer o Zé!...
É vê-los
arengando a arraia miúda, arvorados em defensores dos desempregados, dos pobres,
dos velhos, dos desprotegidos da sorte, dos sem abrigo, prometendo mundos e
fundos, mas sem repartir com eles quaisquer sobras dos seus lautos banquetes!
Fala-se
muito em moralizar o Estado. Fala-se… São palavras ditas, mas sem vontade de
concretização, porque isso não interessa a nenhum dos partidos. Há que dizê-lo
sem medo, porque é a verdade.
Quando
os políticos confundem o seu papel com o dos grupos económicos e querem fazer
dos partidos empresas privadas onde podem colocar quem bem lhes apetece e
talhar os seus ordenados e fazer leis à medida da sua ganância, está visto que
não podemos esperar melhores dias.
O
recente caso da “licenciatura relâmpago” de um dos nossos ministros é um
exemplo flagrante deste folclore político e da degradação que se instalou cá no
rectângulo. Se este facilitismo continua, não é de excluir que dentro de uma
década, na tomada de posse de qualquer “filho da nação”, o senhor do protocolo,
de caneta em riste, não tenha de lhe perguntar: “O senhor doutor sabe
assinar?...
sexta-feira, julho 20, 2012
EM DIA DE ANIVERSÁRIO
Lá vão oitenta e seis anos –
Um longo caminho andado,
Com alegrias e desenganos,
Caminhando de braço dado.
Oitenta e seis anos, tanto tempo!...
Tanta alegria e lamento,
No meu peito!
Tanta chama que se apagou,
Tanto desejo que ficou,
Insatisfeito!
Até as lágrimas de outrora,
Gotas de água tão sorridentes…
Porquê, meu Deus, as lágrimas d’ agora,
São tão tristes e são tão dif’rentes?
Ah! Meus sonhos de menino,
Que a esperança embalava
E aquele mundo pequenino
Que o meu coração albergava!...
Não havia noite,
Era sempre dia,
Era tudo esp’rança,
Era tudo alegria.
Era a Primavera em flor,
Era sempre sol nascente
E no coração da gente
Havia sempre calor!
Mas o tempo,
Como o vento,
Soprando,
Foi meus anos levando!...
Daquele bebé rosado
Que há oitenta e seis anos nascia
É um senhor já muito usado
Que se festeja neste dia.
Perdeu a pena o perdigão
E tudo já o tempo levou…
E de um jovem rapagão
Vejam lá o que ele deixou:
Uma carcaça enferrujada
Donde o caruncho esguicha
Uma coisa velha, enrugada…
Tudo encolhe, nada espicha!...
Eu venho de longe e estou cansado
De tanta luta, tanto desengano…
Mas sempre optimista e esperançado,
Espero voltar a ver-vos pró ano!...
quarta-feira, junho 13, 2012
V ENCONTRO DOS EX-ALUNOS DO TOMAZ RIBEIRO
Neste V encontro começamos por
nos servir de parte de um poema, de uma
colega, a poetisa Maria da Conceição, que este ano, por afazeres pessoais
inadiáveis, não pode estar presente: «Mística
de persistentes / Que teimam viver, contentes / Um dia de cada vez… / Este vai
ficar gravado, / De recordações, ornado, / Dia nove. Junho, o mês.»
«Piano toca a alvorada, / Que, neste fim de jornada, / Estar aqui, é
privilégio! / Meus amigos, que saudade / Dos tempos da mocidade / E do velhinho
colégio…»
Poderíamos ficar por esta
introdução, pois nela está o verdadeiro objectivo que é o de reviver, ainda que
fugazmente, esses tempos já bastante longínquos caracterizados por uma
verdadeira, sã e duradoira amizade!
E como dissemos no ano passado,
lá nos encontrámos – mais barriga, memos barriga, aprumados ou coxeando, a
aiveca do arado do tempo não parou na sua contínua destruição!
Menos que no último encontro de
Outubro de 2011, – a maior parte ausente por questões de saúde – foram horas em
que se reviveu o passado voltado atrás no tempo numa viagem de saudade, ternura
e muita amizade. Aos da década 40-50 também se juntaram outros de tempos mais
recentes, partilhando toda em conjunto essa alegria própria do reencontro de
amigos da nossa infância.
O encontro começou com uma missa
em acção de graças e em sufrágio dos colegas que já nos deixaram, celebrada na
Igreja de Nossa Senhora do Carmo e acompanhada por um magnífico Grupo Coral, a
que desde já felicitamos e agradecemos. O nosso bem-haja também ao celebrante e
às suas palavras alusivas ao nosso encontro.
Seguiu-se a fotografia da praxe desta
vez com um fundo diferente – o Palácio da Justiça, o que motivou alguns
comentários com muito humor à mistura. A idade pode ser muita, mas a boa
disposição tem se mantido, malgré tout!...
No almoço, servido no memo local
do ano passado, poder-se-á dizer que se falou mais do que se comeu, apesar da
variedade e abundância dos petiscos. Havia muita conversa a pôr em dia, muita
pergunta acerca dos que faltaram este ano. E também muitas histórias a
relembrar e a evocar com saudade.
E como cantou João Sá, dedilhando
a viola, e em jeito de balada coimbrã: «Colégio
tem mais encantos / Tantas décadas passadas / Nos nossos cabelos brancos /
Saudades acumuladas…/»
Este ano foram vinte e dois os
colegas que, pessoalmente ou por telefone, justificaram a sua ausência, quer
por motivo de saúde, quer por compromissos já agendados para o dia.
Para o ano, se Deus quiser,
reviveremos estes momentos ficando desde já todos convidados – os menos novos e
os novos, que queiram associar-se.
sexta-feira, maio 25, 2012
DESABAFO
Por que será que este sentimento de fuga
me invade cada vez com mais intensidade? Será a necessidade de esvaziar esta
arca velha, de desabafar, de fugir de mim mesmo, de afastar o pensamento de
toda esta balbúrdia que me rodeia e me incomoda e de criar à minha volta, um
mundo novo, com gente a sorrir, sem pressas e sem competições? Utopia?!... Que
o seja, mas sinto muitas vezes esse impulso de reinventar outro mundo!
E nesse desejo, nessa ânsia, muitas
vezes, sem me aperceber, esqueço-me de mim mesmo e invento outra personagem.
Totalmente diferente. Uma silhueta quase irreconhecível, uma espécie de
fantasma, que pouco dura e que acaba por desaparecer submersa nas vagas da
minha própria imaginação.
É difícil fugir da aparência, da
fachada, da máscara com que disfarçamos uma felicidade que nunca atingimos. É
sempre difícil se não impossível despir completamente a indumentária que
vestimos ao longo de muitos anos.
E é também difícil localizarmos no nosso
imaginário aquele momento mágico em que nos foi oferecida a ocasião de optar,
de escolher o rumo certo, aquele que agora, depois desta longa distância
percorrida, pensamos teria sido o ideal...
Mas será que alguma vez na nossa
adolescência nos apercebemos desse momento enigmático, dessa encruzilhada de
caminhos que a vida nos mostrou para podermos escolher o tal rumo certo?!...
É curioso como apesar de todos estes
anos de peregrinação por este vale de lágrimas, esta ânsia de reinventar um
outro caminho que não o percorrido, continue, de vez em quando, a atravessar-se
nos meus pensamentos, colocando dúvidas e interrogações difíceis de satisfazer!
É curioso também que mesmo numa idade
avançada se continue a sonhar e a ter pesadelos. Sobretudo pesadelos, porque os
sonhos, quanto a mim, têm uma grande lógica interna e uma grande coerência
interior. Eles permitem-nos, enquanto duram, de alimentar esperanças dando-nos
alento e reforçar ainda que ficticiamente, a nossa auto-estima.
Todos nós temos virtudes e defeitos
tornando-se por isso, e à medida que o tempo vai passando, mais importante
consciencializarmo-nos das nossas imperfeições. Bem sei que nesse turbilhão de
ideias, nesse emaranhado de interrogações e sem possibilidade de voltar atrás,
nos resta apenas dominar os sentimentos e substituir as tendências negativas
pelas tendências positivas, lutar, reeducando-nos para a felicidade. Não a
felicidade completa, mas aquele estado de alma que nos proporciona todos os
dias a alegria de viver em paz connosco, sem ódios, sem remorsos, sem alimentar
sentimentos de inveja pelo vizinho do lado que é mais poderosos e rico.
Às vezes ando ás voltas dentro de mim, e
mesmo consciente de que por mais voltas que dê não vou para lado nenhum, tento
recriar, baseado no passado, um caminho diferente. Porém, como o passado, não
se refaz, não se recria, mas também não se pode abjurar, volto ao ponto de
partida – às interrogações, às reticências. E é sempre com elas, com
reticências que termino estas minhas
incursões àqueles momentos, a esse tempo que parou no tempo – ao meu tempo de menino…
sexta-feira, maio 11, 2012
RABISCANDO...
Apesar de ter tido bons mestres, se me pedissem
para escolher aquele que mais e melhor me ensinou, eu responderia sem hesitação
que foi na escola da vida que mais aprendi.
E foi nos seus bancos, espalhados um pouco por
toda a parte – em casa, no campo, longe da Pátria, trabalhando, desesperando,
esperançado, desiludido, mas sempre confiante, que compilei a sebenta com as mais importantes lições
que me têm ajudado a passar de ano. E com boa média!...
E durante essas aulas, quase sem me aperceber, e
à medida que o tempo se ia escoando ora sob um céu pardacento, ora sob um céu
azul sem nuvens, as folhas foram-se enchendo, e o livro da minha existência
foi-se avolumando.
Hoje, as suas páginas constituem este aglomerado
de factos que sou, repartido em três volumes já escritos- Primavera, Verão e
Outono.
O outro, o Inverno, já vai muito adiantado, mas
continuo a trabalhar nele afincadamente, tentando superar com paciência e
optimismo o que já me vai faltando em talento!
E, dia-a-dia, linha por linha, sozinho, neste
cubículo, nesta espécie de cafarnaum, cá vou passando o tempo rabiscando,
amontoando emoções, sentimentos, a maior parte para escárnio de novos e consumo
de velhos.
Mas não esmoreço, nem me dou por vencido. Nesse
aspecto sigo as palavras de um escritor francês cujo nome não me ocorre agora,
mas que já mencionei noutros textos. Disse ele que “escrever é falar sem ser
interrompido.” E é a adopção dessa espécie de lema que me dá ânimo, que me dá
força para extravasar, através do papel, o que me vai na alma.
Quando se chega a uma certa idade começam a
escassear as pessoas com as quais poderíamos trocar impressões ou simplesmente
cavaquear. Não é recente tal facto, mas nos tempos que correm e em que a
tecnologia tenta por todas as maneiras possíveis e inimagináveis apossar-se do homem
e até escravizá-lo, primeiro dá-se atenção à máquina e só depois ao homem!..
E então quando se trata de velhos, essa falta de
tempo ou de paciência atira-nos para as prateleiras, onde, se não estivermos
atentos, depressa e só o pó se encarrega de nos visitar.
E é muitas vezes por isso, para não me deixar transformar
em mera relíquia ou objecto de estimação visitado apenas por qualquer espanador ocasional, que estabeleço este
monólogo com o papel…ou melhor, com a máquina!
Quando quero livrar-me dos ecos deste palavroso
e nauseabundo lixo político que me fere
os tímpanos, desligo e entretenho-me a rabiscar.
domingo, abril 29, 2012
DRAMAS DO NOSSO QUOTIDIANO
Eram para aí seis da manhã quando saiu. O dia estava chuvoso e frio, daqueles dias que apetece ficar em casa. Não à lareira, porque não tinha lenha, mas para ficar enrolado na manta a enganar o frio e a olhar pelo buraco do plástico que, à míngua de dinheiro, servia de vidro na janela que dava para a rua. Há dois anos que estava desempregado. Graças aos vizinhos lá ia sobrevivendo com a mulher e os dois filhos. Deixara de fumar, porque “quem não tem dinheiro, não tem vícios”, disse-lhe a mulher. E largou o cigarro. Mas naquele dia o que lhe apetecia era um cigarrito. Com o anúncio do Jornal amarrotado no bolso e na esperança de conquistar o lugar, precisava de qualquer coisa para lhe acalmar os nervos. Lembrou-se de tomar um café, mas se o fizesse, o dinheiro não chegaria para o autocarro. Desistiu e continuou a caminhar até à paragem sempre a pensar como seria o amanhã com um bom emprego e dinheiro no bolso no fim do mês!... Ao chegar, e como havia já uma grande fila, resolveu continuar a andar. Não estava muito longe e sempre ia aquecendo os pés. E, de contente, até cantarolou umas canções, coisa que há muito não fazia. O trabalho que pediam no anúncio era o que fazia no emprego em que trabalhara umas dúzias de anos. Não lhe faltava experiência e chegou mesmo a convencer-se que o lugar seria dele. E os projectos começaram a invadirem-lhe a mente: o primeiro salário seria para pagar a dívida na mercearia. Depois viria a saúde. Os miúdos precisavam de ir ao médico e a mulher andava há tempos a queixar-se duma dor no peito. Iria também. A seguir daria uma volta na casa. Chovia no quarto dos garotos, as janelas não tinham vidros, e compraria também roupa e calçado. Pagaria as facturas atrasadas da luz, compraria um frigorífico novo… Ah! E compraria mochilas para os filhos levarem os livros para a escola…Enfim, graças a Deus, esperava-o uma vida nova! Entretanto chegou à Empresa que tinha posto o anúncio e onde, com certeza, iria concretizar o seu sonho, arranjar amigos e, quem sabe, subir até de posto! Sentia-se já em terreno familiar. Deu os bons dias à menina da recepção, disse ao que ia, mostrou o anúncio e, solícito, ia obedecendo aos pedidos da funcionária: bilhete de identidade, composição familiar, experiência… Mas de repente uma nuvem negra interpôs-se entre os dois: - «Tenho muita pena – disse ela – mas a idade…» E ele nem queria acreditar! Então com cinquenta anos era já considerado inútil à sociedade? E todos os sonhos morreram. Começou então a percorrer as ruas para matar o tempo até que a noite chegasse…Queria entrar em casa sem que ninguém o visse e, às escuras, chorar à vontade.
SUPERSTIÇÕES
Segundo me confidenciou um amigo, – que milita na ala esquerda por via dos euros, mas que tem o coração mais à direita do que o mais direitista dos cidadãos – parece que só de pronunciar ou escrever o seu nome, pode contrair-se uma espécie de doença incurável ainda mais mortífera do que a provocada pelo mais desconhecido e terrificante vírus! São vários os nomes atribuídos aos “portadores”desse “mal”, mas os intelectuais fazedores de rótulos atribuíram-lhe um que no seu entender simboliza o que há de pior e mais contaminante sobre a terra: - salazaristas! Claro que eu não acredito nessas patranhas de contaminação, mas é sempre bom, (permitam-me a metáfora) calçar luvas, munir-se de pinças, pôr uma máscara, e estar preparado para o pior, não vá o diabo tecê-las. Apesar de o homem estar morto, enterrado, com sete palmos de terra por cima, a avaliar pelo medo que ainda suscita no imaginário de muita gente, nunca é de mais tomar as devidas precauções. Esta espécie de “agoiro” já vem de longe, mas ultimamente raro é o dia em que não se evoque o seu apelido – uns para o incensar outros para o denegrir. Embora a “borracha” e as “tintas” de Abril tenham conseguido apagar, disfarçar ou esbater um pouco as sete letras do nome, nem assim as “consciências” (ou as conveniências?!...) de alguns deixam de atribuir ao falecido todas as desgraças por que temos passado nestes últimos anos. Mudaram-se nomes de pontes, de ruas, suprimiram-se livros na escola, cortaram a cabeça do seu busto, mas nem assim o seu fantasma deixou de perseguir uma boa parte dos habitantes cá do rectângulo! De vez em quando e a pretexto de escamotear qualquer trafulhice ou no intuito de desviara a atenção ou anestesiar o Zé para mais uma tosquia, “desenterra-se” o homem e aí vai disto... Agora, o “fogo” voltou a reacender-se. Serviu de rastilho o facto de o autarca de Santa Comba Dão, João Lourenço, anunciar o lançamento de uma marca de vinho à qual vai dar o nome de “Memórias de Salazar, ligando “um nome conhecido em todo o mundo aos produtos da terra”. Ainda segundo o mesmo a ideia visa também angariar fundos para a “recuperação da área urbana do Vimieiro ligado ao património que lhe pertencia…” Por mais que tente compreender a razão de tanto burburinho sempre que se fala no falecido, ainda não consegui saber quais os proventos resultantes de tanto barulho! Incapazes de trabalhar para construir um futuro melhor, essa gente passa o tempo a fazer interpretações infantis, tentando desvirtuar o passado. Tudo o que de bem ou de mal se diga ou escreva acerca do homem que nos legou a “pesada herança” não apagará o seu nome das páginas da História. E tudo o que se tem dito, escrito ou ouvido, quer a favor, quer contra, tem apenas servido para espevitar a curiosidade daqueles que apenas conheciam a música de ouvido… Hoje, porém, muitos já sabem ler a pauta, interpretar as notas e fazer comparações. E é justamente por isso, para evitar comparações, que muita gente não quer, não gosta, nem está interessada em que certas facetas da sua vida sejam conhecidas. «Antes de deixar o Poder quero sacudir os bolsos e de todo esse tempo que estive à frente dos destinos da Nação, nem mesmo pó eu quero levar…» – disse um dia Salazar. E como o disse, assim o fez. E, essa frase, actualmente, incomoda muita gente…
sábado, abril 28, 2012
OS PEQUENOS DITADORES
O País está atulhado deles. Há-os por todo o lado. Grandes e pequenos. Intelectuais e analfabetos. E existem tanto na esquerda como na direita.
No Governo, na Assembleia da República, nas Secretarias de Estado, na Justiça, na Saúde, nos Sindicatos, nas Fundações, nas Comissões de Inquérito, nos Municípios, na Imprensa, nas Escolas e em todos os lugares onde lhes cheire a poder, eles espalham-se e escondem-se por todo o lado como piolho em costura!
Saímos de uma Ditadura maior para ditaduras menores, mais disfarçadas, mas não menos nefastas…
E são essas pequenas ditaduras que geram sentimentos de medo por parte dos subalternos que, por sua vez, criam à sua volta, e em simultâneo, climas de bajulação e de denúncias.
Com medo de se perder o emprego, o estatuto ou os privilégios, lisonjeia-se o chefe e denuncia-se o colega.
Não há moral, não se respeita a ética, e ignoram-se os ditames de consciência – a integridade que deve caracterizar qualquer ser humano desaparece.
Muita gente vê o autoritarismo apenas sob a perspectiva do Estado enquanto opressão do poder político. Mas isso não é totalmente assim.
O autoritarismo é uma manifestação de egoísmo que pode manifestar-se em qualquer sector da sociedade, dependendo apenas do alto conceito que cada um atribua a si mesmo. A ambição, a vaidade, o protagonismo e a supremacia em relação ao semelhante, pode desencadear esse sentimento
Um lugar de chefia é, geralmente, a rampa de lançamento mais usada para a propulsão do prepotente.
Há instituições particulares que apesar da sua fachada democrática e da sua orientação pedagógica e científica, apresentam, por intermédio do seu chefe, um carácter opressivo.
E, paradoxalmente, é nessas instituições em que a liberdade, a sinceridade, o respeito mútuo, a civilidade e o diálogo deveriam, acima de tudo, sobrepor-se a qualquer outra forma de actuação.
Esses pequenos ditadores consideram-se profetas de um novo Mundo e exercem os seus cargos como de feudos se tratasse, erguendo muralhas e fossos de protecção e usando o poder que a função lhes confere para reforçar a sua vaidade pessoal e o domínio sobre os outros.
E há casos em que eles não só exercitam a sua prepotência sobre aqueles que gravitam à sua volta como também tentam estender os seus tentáculos para o exterior. Com sucesso algumas vezes, mas muitas mais sem conseguirem atingir o seu objectivo. No primeiro caso porque o alvo se presta a chantagem, no segundo porque há ainda quem não tema quaisquer represálias sejam elas de carácter ideológico, profissional ou meramente pessoal.
O pequeno ditador, geralmente, não é inteligente. Mas é esperto. E é narcisista, hipócrita, vingativo, manhoso, mas covarde quando atacado frontalmente. Não sei se algum dos meus leitores já alguma vez foi alvo dessa casta de indivíduos. Se não, acautelem-se.
No Governo, na Assembleia da República, nas Secretarias de Estado, na Justiça, na Saúde, nos Sindicatos, nas Fundações, nas Comissões de Inquérito, nos Municípios, na Imprensa, nas Escolas e em todos os lugares onde lhes cheire a poder, eles espalham-se e escondem-se por todo o lado como piolho em costura!
Saímos de uma Ditadura maior para ditaduras menores, mais disfarçadas, mas não menos nefastas…
E são essas pequenas ditaduras que geram sentimentos de medo por parte dos subalternos que, por sua vez, criam à sua volta, e em simultâneo, climas de bajulação e de denúncias.
Com medo de se perder o emprego, o estatuto ou os privilégios, lisonjeia-se o chefe e denuncia-se o colega.
Não há moral, não se respeita a ética, e ignoram-se os ditames de consciência – a integridade que deve caracterizar qualquer ser humano desaparece.
Muita gente vê o autoritarismo apenas sob a perspectiva do Estado enquanto opressão do poder político. Mas isso não é totalmente assim.
O autoritarismo é uma manifestação de egoísmo que pode manifestar-se em qualquer sector da sociedade, dependendo apenas do alto conceito que cada um atribua a si mesmo. A ambição, a vaidade, o protagonismo e a supremacia em relação ao semelhante, pode desencadear esse sentimento
Um lugar de chefia é, geralmente, a rampa de lançamento mais usada para a propulsão do prepotente.
Há instituições particulares que apesar da sua fachada democrática e da sua orientação pedagógica e científica, apresentam, por intermédio do seu chefe, um carácter opressivo.
E, paradoxalmente, é nessas instituições em que a liberdade, a sinceridade, o respeito mútuo, a civilidade e o diálogo deveriam, acima de tudo, sobrepor-se a qualquer outra forma de actuação.
Esses pequenos ditadores consideram-se profetas de um novo Mundo e exercem os seus cargos como de feudos se tratasse, erguendo muralhas e fossos de protecção e usando o poder que a função lhes confere para reforçar a sua vaidade pessoal e o domínio sobre os outros.
E há casos em que eles não só exercitam a sua prepotência sobre aqueles que gravitam à sua volta como também tentam estender os seus tentáculos para o exterior. Com sucesso algumas vezes, mas muitas mais sem conseguirem atingir o seu objectivo. No primeiro caso porque o alvo se presta a chantagem, no segundo porque há ainda quem não tema quaisquer represálias sejam elas de carácter ideológico, profissional ou meramente pessoal.
O pequeno ditador, geralmente, não é inteligente. Mas é esperto. E é narcisista, hipócrita, vingativo, manhoso, mas covarde quando atacado frontalmente. Não sei se algum dos meus leitores já alguma vez foi alvo dessa casta de indivíduos. Se não, acautelem-se.
GENTES PACÍFICAS IGNORADAS
Antigamente o bilhete de identidade de grande parte das aldeias portuguesas do interior era constituído por uma Capela e por uma Escola.
A capela, onde geralmente aos domingos se celebrava a missa e se reuniam todos os habitantes e a Escola onde, de pequenino, se aprendiam as primeiras letras.
Com a junção de algumas formaram-se depois esses espaços geográficos que são as Freguesias com a sua Igreja Matriz e outros serviços, que a certa altura desempenharam um papel preponderante na vida nacional, sobretudo nos meios rurais.
Citando apenas um exemplo, houve um tempo em que o exame da 3.ª classe era feito na Escola da Freguesia, sem falar já na História desses aglomerados dispersos pelo País que eram anotados pelos párocos, nos livros de registo das Paróquias.
Mas, como é evidentemente, com o evoluir dos tempos a vida tudo mudou e pouco a pouco a aldeia começou a descaracterizar-se, tendo contribuído muito para isso a falta de visão futura dos governantes ao retirarem competência e serviços às aldeias em favor dos grandes aglomerados urbanos.
Assistiu-se em seguida ao êxodo das populações rurais que cada vez mais isoladas, e mais necessitadas dos mais elementares meios de sobrevivência, se viram obrigadas a rumaram às grandes urbes onde se fixaram e quase esqueceram as suas raízes.
Mas só quem vive em meios rurais pode avaliar o papel desses homens que estão à frente das Freguesias rurais, que lidam diariamente com as aspirações e os problemas dos habitantes e que muitas vezes lhes exigem soluções que ultrapassam a esfera das suas competências e atribuições. Eles são, de facto, uns verdadeiros «heróis da democracia»!
Mal pagos, por vezes mal interpretados, e quase sempre «bodes expiatórios» do não cumprimento de promessas de outros, são eles que à frente destes pequenos espaços geográficos dão o verdadeiro exemplo de abnegação e solidariedade, servindo, a troco de nada, o povo que os elegeu.
Agora que se fala muito na extinção ou fusão de Freguesias é de suma importância que essas decisões, a consumarem-se, sejam analisadas caso a caso e freguesia por freguesia. É urgente fixar as populações do interior, diminuindo as assimetrias entre a cidade e o campo. É urgente revitalizar o mundo rural, pois a ruralidade representa ainda a consciência da nossa verdadeira identidade cultural, com os seus valores, as suas tradições e as suas maneiras de viver, mais humanas, mais fraternas e mais solidárias. Não podem por isso os políticos voltar as costas ao país real e abandonar esses homens e mulheres que trabalham e cultivam os campos. É com essa gente humilde e simples, essa gente que se conforma com as alterações do clima que por vezes lhes destrói numa hora, o trabalho de dias e meses, que devemos aprender a lição da Fé e da esperança.
Uma lição que nos torna mais humanos, mais fraternos e nos aproxima mais de Deus. É esse o mundo dos que habitam os meios rurais. Um mundo de gente pacífica e, talvez por isso, quase sempre mais desfavorecida e ignorada.
A capela, onde geralmente aos domingos se celebrava a missa e se reuniam todos os habitantes e a Escola onde, de pequenino, se aprendiam as primeiras letras.
Com a junção de algumas formaram-se depois esses espaços geográficos que são as Freguesias com a sua Igreja Matriz e outros serviços, que a certa altura desempenharam um papel preponderante na vida nacional, sobretudo nos meios rurais.
Citando apenas um exemplo, houve um tempo em que o exame da 3.ª classe era feito na Escola da Freguesia, sem falar já na História desses aglomerados dispersos pelo País que eram anotados pelos párocos, nos livros de registo das Paróquias.
Mas, como é evidentemente, com o evoluir dos tempos a vida tudo mudou e pouco a pouco a aldeia começou a descaracterizar-se, tendo contribuído muito para isso a falta de visão futura dos governantes ao retirarem competência e serviços às aldeias em favor dos grandes aglomerados urbanos.
Assistiu-se em seguida ao êxodo das populações rurais que cada vez mais isoladas, e mais necessitadas dos mais elementares meios de sobrevivência, se viram obrigadas a rumaram às grandes urbes onde se fixaram e quase esqueceram as suas raízes.
Mas só quem vive em meios rurais pode avaliar o papel desses homens que estão à frente das Freguesias rurais, que lidam diariamente com as aspirações e os problemas dos habitantes e que muitas vezes lhes exigem soluções que ultrapassam a esfera das suas competências e atribuições. Eles são, de facto, uns verdadeiros «heróis da democracia»!
Mal pagos, por vezes mal interpretados, e quase sempre «bodes expiatórios» do não cumprimento de promessas de outros, são eles que à frente destes pequenos espaços geográficos dão o verdadeiro exemplo de abnegação e solidariedade, servindo, a troco de nada, o povo que os elegeu.
Agora que se fala muito na extinção ou fusão de Freguesias é de suma importância que essas decisões, a consumarem-se, sejam analisadas caso a caso e freguesia por freguesia. É urgente fixar as populações do interior, diminuindo as assimetrias entre a cidade e o campo. É urgente revitalizar o mundo rural, pois a ruralidade representa ainda a consciência da nossa verdadeira identidade cultural, com os seus valores, as suas tradições e as suas maneiras de viver, mais humanas, mais fraternas e mais solidárias. Não podem por isso os políticos voltar as costas ao país real e abandonar esses homens e mulheres que trabalham e cultivam os campos. É com essa gente humilde e simples, essa gente que se conforma com as alterações do clima que por vezes lhes destrói numa hora, o trabalho de dias e meses, que devemos aprender a lição da Fé e da esperança.
Uma lição que nos torna mais humanos, mais fraternos e nos aproxima mais de Deus. É esse o mundo dos que habitam os meios rurais. Um mundo de gente pacífica e, talvez por isso, quase sempre mais desfavorecida e ignorada.
A REVOLTA DO ALFABETO
A princípio, quando vi o ajuntamento, pensei tratar-se de uma greve, mas como não havia megafones, bandeirinhas nem dísticos do “povo unido” e não lobriguei nenhum dos nossos bolorentos e habituais síndicos, vi que devia tratar-se apenas de uma reunião normal.
Contei-as e eram vinte e três, mas havia três que estavam um pouco mais longe e tinham um ar de quem está ansioso aguardando qualquer coisa nova.
Todas se mexiam constantemente sem, no entanto, se afastarem do lugar que ocupavam. Faziam lembrar o teclado do meu computador e só quando me aproximei mais é que dei conta de que se tratava de facto das letras do alfabeto.
Todas juntas pareciam, à primeira vista, uma espécie de bicharocos que abundam naquele tapete húmido da floresta virgem dos países tropicais e que, de vez em quando, põem a cabeçorra de fora!
Do A até ao Z lá estavam todas, e aquelas três de que acima falei, o K, o W e o Y, continuavam afastadas e desconfiadas talvez com receio de não serem bem recebidas pelas 23 que há muito faziam parte do conjunto que rege a nossa escrita.
Os acentos gráficos passeavam à volta das letrinhas e o que me pareceu mais agitado foi o hífen que parecia nervoso e apreensivo. O til fazia vénias por ter sido poupado e parecia não ter nada a ver com a situação que se estava a viver.
Não pude conter-me mais e perguntei o que se passava. Respondeu-me o ponto de admiração dizendo tratar-se de um plenário convocado a pedido de algumas letras do alfabeto furibundas com a sua despromoção com a entrada do Novo Acordo Ortográfico.
As que mais reclamavam eram o Cê e o Pê e segundo me confidenciou o hífen, – ele também descontente por o terem afastado de algumas ligações – não se conformavam.
A primeira, o Cê, porque afirmava que, para além de outros casos, uma acção apenas com cê cedilhado perdia a sua verdadeira identidade e a sua tradicional força para agir.
A segunda, o Pê, argumentava também que das muitas supressões a que fora sujeito, a sua ausência no baptismo, era a mais grave, pois ia de encontro aos sentimentos de qualquer cristão que se preze!
Entretanto o Dáblio e o Ípsilon, mantinham-se na expectativa e aguardavam a sua entrada no novo conjunto das 26 letras do novo Alfabeto.
Estava eu observando todos estes comportamentos quando, lá ao longe, avistei uma fila de calhamaços de várias cores que avançavam na minha direcção e cujas folhas tremelicavam assustadas – eram os Dicionários numa demonstração de solidariedade, pois também eles iriam ser substituídos por uma nova geração…
Não consegui assistir ao fim de toda aquela barafunda para contar como tudo acabou, porque o telefone tocou e eu acordei!...
Contei-as e eram vinte e três, mas havia três que estavam um pouco mais longe e tinham um ar de quem está ansioso aguardando qualquer coisa nova.
Todas se mexiam constantemente sem, no entanto, se afastarem do lugar que ocupavam. Faziam lembrar o teclado do meu computador e só quando me aproximei mais é que dei conta de que se tratava de facto das letras do alfabeto.
Todas juntas pareciam, à primeira vista, uma espécie de bicharocos que abundam naquele tapete húmido da floresta virgem dos países tropicais e que, de vez em quando, põem a cabeçorra de fora!
Do A até ao Z lá estavam todas, e aquelas três de que acima falei, o K, o W e o Y, continuavam afastadas e desconfiadas talvez com receio de não serem bem recebidas pelas 23 que há muito faziam parte do conjunto que rege a nossa escrita.
Os acentos gráficos passeavam à volta das letrinhas e o que me pareceu mais agitado foi o hífen que parecia nervoso e apreensivo. O til fazia vénias por ter sido poupado e parecia não ter nada a ver com a situação que se estava a viver.
Não pude conter-me mais e perguntei o que se passava. Respondeu-me o ponto de admiração dizendo tratar-se de um plenário convocado a pedido de algumas letras do alfabeto furibundas com a sua despromoção com a entrada do Novo Acordo Ortográfico.
As que mais reclamavam eram o Cê e o Pê e segundo me confidenciou o hífen, – ele também descontente por o terem afastado de algumas ligações – não se conformavam.
A primeira, o Cê, porque afirmava que, para além de outros casos, uma acção apenas com cê cedilhado perdia a sua verdadeira identidade e a sua tradicional força para agir.
A segunda, o Pê, argumentava também que das muitas supressões a que fora sujeito, a sua ausência no baptismo, era a mais grave, pois ia de encontro aos sentimentos de qualquer cristão que se preze!
Entretanto o Dáblio e o Ípsilon, mantinham-se na expectativa e aguardavam a sua entrada no novo conjunto das 26 letras do novo Alfabeto.
Estava eu observando todos estes comportamentos quando, lá ao longe, avistei uma fila de calhamaços de várias cores que avançavam na minha direcção e cujas folhas tremelicavam assustadas – eram os Dicionários numa demonstração de solidariedade, pois também eles iriam ser substituídos por uma nova geração…
Não consegui assistir ao fim de toda aquela barafunda para contar como tudo acabou, porque o telefone tocou e eu acordei!...
O MEU ZURRO

Já este ano falei sobre o assunto. Mas, porque há dias e de Norte a Sul do País as ruas se encheram de “grevistas”, eu continuo sem saber quais os benefícios que advieram do protesto tanto para os protestantes como para o País.
Aliás é minha convicção de que muitos dos que participaram no movimento, fizeram-no mais por arrasto do que por convicção pessoal. Não cabe na cabeça de ninguém de bom senso que no estado actual em que financeiramente nos encontramos, é saindo à rua, gritando e dizendo mal de tudo e de todos, que contribuímos para inverter essa situação.
Quando se faz parte de uma multidão, ninguém pertence completamente a si mesmo – «tem-se menos elevação nos sentimentos, menos firmeza na vontade, menos valor sob todos os pontos de vista, do que quando se pensa, sente e age isoladamente.» E, dessa maneira corre-se o risco de se deixar arrastar e apaixonar por visões confusas, que não correspondem nem ao que seria melhor nem aquilo que se pretende quando somos apenas nós mesmos a pensar. As multidões abafam e dominam a personalidade dos homens que nelas se enquadram e que muitas vezes até os desumanizam.
Sabemos que o fosso entre as desigualdades sociais se avoluma cada vez mais, mas é bom não esquecer que os mentores das greves, aqueles que enchem a boca com “o bem-estar do nosso Povo” nem sempre têm isso em vista.
Houve ainda há pouco eleições e foi eleito, democraticamente, um Governo que herdou do anterior uma situação financeira tão catastrófica quanto imoral – catastrófica pela sua incidência ruinosa no que respeita ao futuro, e imoral pelas injustiças praticadas contra os que menos têm em favor dos que têm em demasia.
Esquecer tais factos e não unirmos esforços para inverter a situação desastrosa em que nos encontramos é o mesmo que fecharmos os olhos, é sermos irresponsáveis a ponto de esquecermos que estamos a contribuir para um tenebroso futuro das gerações vindouras em que já estão incluídos os nossos filhos e os nossos netos.
Como acontece com uma educação mal adaptada que deforma rapidamente a mentalidade de um povo, o mesmo se verifica com comportamentos que aumentam o descontentamento, avolumam as paixões, radicalizam-nas, e fazem com que o bom senso escasseie, e a razão deixe de desempenhar a sua função de fiel da balança.
Nestes momentos de perturbação em todos os sectores da vida nacional são sempre os mais carenciados a pagar a factura. Os mentores dessas manifestações, os eventuais ou verdadeiros responsáveis nada sofrem e assistem contentes às manifestações e aos insultos da turbamulta. No difícil momento que o País atravessa, mesmo ressalvando os direitos que todos têm em reivindicar, as greves a que temos assistido ultimamente são mais a expressão de um egoísmo desmedido, de uma vergonhosa luta política, do que de uma verdadeira questão de justiça social.
Diz-se que vozes de burro não chegam ao céu, mas como zurrar ainda não paga imposto, aqui fica, em jeito de opinião, o meu zurro.
domingo, abril 15, 2012
UM FRENTE A FRENTE MATINAL
Aquela cara não me era estranha!...Então, ainda com os olhos ensonados, disse baixinho, não fosse a minha chefe ouvir e pensar que eu começava a tresler logo no começo do dia: «Eu conheço-te!...» Depois, com calma, arregalei os olhos e surpreso, mas sorridente, fixei a imagem. E então o espelho reflectiu uma cara ensaboada, o braço no ar e a máquina de barbear parada junto ao nariz. Era eu!.....
E sorri. E ao sorrir, as rugas do rosto fizeram-se mais notadas, e os olhos humedeceram-se levemente. E numa espécie de diálogo virtual com o espelho, interpelei a imagem. E como num rosário, – rosário da vida, com estações e mistérios!... – lá fomos desfiando as contas já puídas pela erosão do tempo, e já desbotadas pelos sóis que as alumiaram, e que depois as escureceram - emoções, anseios, alegrias, tristezas, esperanças, desilusões - todos os ingredientes de que é feita a vida, elas tudo guardam. São os símbolos vivos de muita coisa que já morreu!
Perdido nesta divagação íntima e silenciosa, deixei que a lâmina penetrasse mais fundo na pele. E voltei à realidade, regressei ao Presente. A imagem que o espelho reflectia era já diferente. Era a actual. Uma cara enrugada e carrancuda. Apenas uma réstia de um sorriso antigo tinha ficado esquecido no canto do olho...
O tempo não pára! E é talvez por isso que a nossa convivência com ele nem sempre é pacífica. Por vezes o relacionamento torna-se mesmo difícil. Sobretudo, quando na esperança de o fazermos parar, o corpo nos atraiçoa, reavivando as marcas que a passagem dos anos deixou.
O tempo não pára! Os anos passaram a correr e, a certa altura, é preciso assumir, com coragem e resignação, os estragos que eles deixaram na sua passagem.
Envelhecer é uma arte. E, como todas as artes, é preciso cultivá-la. Gostar dela. Admitir as suas limitações e brincar com elas. Cada idade tem os seus encantos. O que acontece é que muitas vezes não os sabemos procurar. Sucede também que, ao afirmarmos tudo saber pela experiência adquirida, cavamos um fosso à nossa volta. E somos rejeitados. As novas gerações são avessas a conhecimentos baseados na prática e na experiência. É a teoria que impera. Não adianta remar contra a maré. Envelhecer é uma arte. E nesta sociedade materialista em que vivemos ou a cultivamos e a renovamos constantemente, evoluindo e adaptando-nos aos novos ventos que sopram ou corremos o risco de cair no isolamento – essa ilha perdida no mar imenso que é a indiferença. A boa disposição e o bom humor são ajudas imprescindíveis. Não esqueçamos que o riso é como o limpa brisas do automóvel: - mesmo sem conseguir parar a chuva, ele permite que continuemos a viagem...
sábado, março 17, 2012
SONHO
Num dia triste de chuva e vento
Deixei ir meu pensamento
Em romagem de saudade…
Trouxe um saco de lembranças
Cheio de risos de crianças –
Recordações da mocidade!
Abri o saco com jeito
E depois contra meu peito,
Esquecendo o meu destino,
Acalentei essas quimeras
Doutros tempos, doutras eras
Sonhando que era menino!...
Deixei ir meu pensamento
Em romagem de saudade…
Trouxe um saco de lembranças
Cheio de risos de crianças –
Recordações da mocidade!
Abri o saco com jeito
E depois contra meu peito,
Esquecendo o meu destino,
Acalentei essas quimeras
Doutros tempos, doutras eras
Sonhando que era menino!...
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