segunda-feira, novembro 08, 2010

UMA VERDADE COM 2065 ANOS!...


Se fosse eu que mandasse cá neste jardim zoológico, mandava afixar na Assembleia da República este texto de Marcus Tullius Cicero com a última frase em letras gordas:
"AS PESSOAS DEVEM NOVAMENTE APRENDER A TRABALHAR, EM VEZ DE VIVER POR CONTA PÚBLICA."
Dos 230 deputados, quantos já fizeram alguma coisa na vida? Cambada de mandriões e de incompetentes!...

domingo, novembro 07, 2010

E V O C A Ç Ã O


Embora seja vertiginosa a marcha com que se desloca a carruagem da nossa existência, nem por isso ela foge às Leis previamente estabelecidas.
Assim, em cada paragem, ela se detém, a porta abre-se, e algum dos passageiros tem de abandonar a composição...
Uma velha desdentada, rosto macilento, olhos esbugalhados, garras aduncas, gadanha em punho, desenrola o pergaminho da lista fatal e, indiferente ao que se passa à sua volta, faz a chamada: "Manuel, ou António, ou Maria, ou Francisco, desce, porque é aqui o fim da tua viagem!..."
E não há desculpa ou pretexto que valha! É assim a Morte – imprevisível, tirânica e inexorável. Ninguém escapa ao seu chamamento. No palácio do Rei ou na choupana do pobre, ela está presente, e no dia marcado ela bate à porta e, mesmo sem permissão, ela entra.
Já os Egípcios, quando ofereciam grandes banquetes, costumavam expor à vista dos seus convidados um esqueleto de madeira com a seguinte legenda: "Comei, bebei, e diverti-vos, mas não esqueçais que um dia sereis igual a ele..."
Interpretação diferente lhe davam os primeiros cristãos que consideravam o dia da morte o dies natalis – o dia do nascimento. Morre-se para os homens, mas nasce-se para a Eternidade!
Foi tudo isso que me perpassou pela mente no Dia de Finados quando contemplava aquela lájea musgosa e silenciosa, onde depus quatro crisântemos com as pétalas ainda molhadas pela orvalhada da noite.
Uma lágrima teimosa desceu pela cara tisnada e rugosa e quedou-se por instantes nos lábios trementes, lembrando alguém que não conheci.
Como é doloroso evocar alguém que não conhecemos em vida, mas cuja lembrança constantemente nos acompanha!...
É uma mistura de saudade tão pungente e de tristeza tão dorida, que não se consegue explicar. Sente-se e connosco vive.
Flores, velas, orações e lágrimas! Lágrimas... de saudade umas, de remorsos outras. Mas para nós, cristãos, não será hipocrisia chorar pelos mortos?
Não serão as lágrimas mais apropriadas para aqueles que estão como que amortalhados na frieza, na indiferença, no abandono, sofrendo carências de toda a ordem e por isso antecipadamente sepultados no coração dos vivos?
É que, nestes dias em que os cemitérios se enchem, há, entre essas multidões, e à mistura com testemunhos de sincera saudade, uma grande quota parte de hipocrisia, de vaidade e de ostentação, com que se pretende esconder aos que ainda estão em vida, aquilo que não se deu aos que já morreram.
Como disse Santo Agostinho: "Flores e lágrimas são alívio dos vivos, mas não refrigério dos mortos..."
Reflexão em dia de romagem ao Cemitério –02-11-2010)





sexta-feira, novembro 05, 2010

CAPA E VERSO DO EP DO RICARDO



Isto é a capa e o verso do EP que o menino que ouviram cantar - Ricardo Ventura da Costa que adoptou o nome artístico de Richie Campbell - acabou de lançar. Podem comprar em qualquer espaço FNAC.
Boa sorte, Ricardo!

segunda-feira, novembro 01, 2010

É TÃO BONITA A VIDA!...


A Vida, no seu mais simples e real significado, é uma história que encerra muitas outras histórias. E a vida de cada um de nós tem as suas.
E, como num livro, os capítulos sucedem-se e a acção desenrola-se aguçando a nossa curiosidade, mas escondendo sempre, de forma ardilosa, o desfecho final!
E felizmente que assim é!...
Alegrias, tristezas, esperanças, fracassos, enganos, desenganos, vaidades e desânimos, são pedaços de romance que desfilam e ladeiam a nossa existência sem, contudo, forneceram qualquer indício quanto ao seu epílogo.
E assim, – uns guiados por essa luz da esperança que é a Fé, outros pelo fascínio do desconhecido que os atrai – lá vamos todos, e cada qual à sua maneira, folheando o livro, página após página, sem nunca sabermos como, nem quando chegamos ao fim...
Os que lêem as minhas crónicas devem admirar-se desta minha insistência neste tema que é a Vida – a passagem por este mundo. Acredito até que muitos possam crer que tal facto se deve à decrepitude, a uma senilidade galopante. Pouco importa. Mas a vida fascina-me apesar de todos os encantos, desencantos, rasteiras e trambolhões, que tive de transpor. E isso talvez por só agora começar a gozá-la em toda a sua plenitude e sem paixões – nas cores, nos odores, nos olhares, nas pessoas, nas coisas e em tudo o que me rodeia!
Como um apaixonado, sofregamente, eu “respiro-a” e tento conservar dentro de mim, por tempo infinito, essa lufada de esperança que me enche a alma.
É sempre difícil, quando fazemos da escrita uma confissão, escondermos o que vai dentro de nós. Ser sensível é uma outra maneira de compartilhar da tristeza dos outros. Fazer o papel da esfinge de pedra que não ri, que não chora, que não se emociona é, em certos momentos, uma outra forma de hipocrisia.
O sentimento é a música do nosso mundo interior que faz parte integrante do nosso eu. Quando exteriorizado com dignidade, sem vergonha e sem fingimentos, ele é, conjuntamente com o pensamento, a expressão da nossa verdade.
E é por isso que eu canto a vida, todas as manhãs, cedo, quando abro a janela do meu quarto e assisto ao espreguiçar do dia. É mais um, murmuro baixinho...
Todos nós dizemos saber que temos de morrer um dia. Mas se dizer que sabemos, é tarefa fácil, convencermo-nos disso e aceitá-lo sem temor e sem reservas... isso é que é mais difícil!
Entretanto e como nada pode parar os ponteiros do relógio da vida, aproveitemo-la da melhor maneira.
E para aqueles que acreditam que há Vida para além da morte, uma das condições essenciais para ter direito a essa dádiva divina, é tentar seguir o caminho certo, que é, como disse o poeta, "abrindo aos outros o nosso jardim: oferecer aos outros as flores das nossas capacidades e valores..."

terça-feira, outubro 05, 2010

FIM DA COMEMORAÇÃO


"Via o meu campo maninho
Plantei vinha. E em conclusão:
Cada vez mais pobresinho
Levae-me a adega de vinh!
Dae-me um bocado de pão!"
Anúncio
"Burro
Perdeu-se em Belém
Com os seguintes signaes:
Ruço, malhado nos lombos
E com chagas nos ilhaes."
Qurem achal-o? Pois bem:
Escusam de andar aos tombos
À procura do jumento.
Dão com elle qualquer dia.
Se não estiver em S. Bento,
Na Academia!
Rivarol - Idem

O QUE NÃO TEM REMÉDIO!...

" (...)
"(...) Tantas vezes se dissera que a situação de Portugal em face das grandes potências era a mais difícil e a mai crítica; tão habituados andávamos já com a ideia de que, mais dia, menos dia, essa pequena mancha amarella que indica ainda Portugal na carta da Europa se apagaria por completo como se lhe passassem uma esponja embebida no anti-nódoa; tão desiludidos do futuro nos diziamos, e tão seguros do mal que nos esperava, andávamos, que ninguém já cuidava de encontrar remédio, que assim vínhamos vivendo na certeza de que o que não tem remédio, remediado está!...(...) "
Paródia de 19 de Dezembro de 1900
É sina, meus amigos!

100 Anos de República - O eterno expectador!...

" (...) Os ministros, em toda a parte do mundo e em todos os tempos, encontraram sempre que comer, ainda mesmo nos paizes onde cada novo ministério que chega se apressa a em declarar às Camaras que o thesouro se acha exhausto - para evitar desconfianças. Os ministros quando não têm mais que comer, comem-se uns aos outros. Consta que o próprio Saldanha, quando ficou só no poder, acumulando as sete pastas, à falta de melhor - roeu as pastas... (...) "
Paródia de 26 de Setembro de 1900

Na comemoração dos 100 anos da República


Para comemorar à minha maneira os 100 anos da República, fui folheando a "Paródia" do ano de 1900, e como podem verificar pela ilustração anexa, já nesse tempo havia "ratos" a participar no Orçamento.
Depois, para verem como as coisas se passavam já naquele tempo, encontrei esta pérola que vos deixo:
Na Boa Hora
Vendo entrar o reu, o feroz Matheus Teixeira de Azevedo grita-lhe:
- Então você ainda antes de hontem cá esteve e já volta?!
- É verdade, sr, juiz, como o tempo passa!
Somos assim e nada há a fazer....

quinta-feira, setembro 02, 2010

A FESTA DO TANQUE DE - 27 A 29 -8-2010

Os assadores















Seguindo costumes pagãos, revivendo a mitologia e também em homenagem às Divindades do Mar e das Águas – as Sereias – realizou-se nos dias 27, 28 e 29, a chamada “Festa do Tanque” que reuniu gentes do Norte e Sul do País.
O local escolhido foi uma mansão beirã onde existe um reservatório de 30.000 litros de água construído em granito que remonta aos primórdios do século IXX.
O local é aprazível, e o reservatório, elevado à categoria de piscina, está rodeado de vinhedos e de glicínias que o bordejam e lhe conferem uma beleza rústica de fazer inveja às pérgulas dos solares antigos descritos nas páginas dos livros dos nosso grande escritor Júlio Dinis!
E foi nesse cenário maravilhoso, em convívio familiar e alegre que se desenrolaram os festejos, interrompidos de quando em vez por umas degustações pantagruélicas e libações a condizer.
O momento alto da festa teve lugar no dia 28 em que para surpresa dos anfitriões, mas sobretudo da “Chefe”que detém o monopólio dos Tachos & Similares, a mesa da sala de jantar se encheu de diversas iguarias, de petiscos irresistíveis, de diversificadas bebidas, não faltando até o barril de onde esguichava a cerveja à pressão!
Durante a preparação dos acepipes, a porta da cozinha esteve vedada a estranhos, o que não agradou à Chefe que se viu assim afastada dos seus domínios.
Os assadores, por seu turno, esmeram-se também nos grelhados e contribuíram também para a maravilhosa decoração gastronómica da mesa que fazia crescer a água na boca só de olhar!
Da família, faltou apenas o artista, mas também esteve presente, porque assistimos, via Internet, à sua magnífica actuação em palco, na vizinha Espanha.
Um Fim-de-semana que ficará gravado…no coração. Um sincero e sentido obrigado a todos que nos proporcionaram tão agradáveis e carinhosos momentos.
Numa pequenina prece a Deus, ousamos pedir-lhe que nos dê saúde para que, para o ano, possamos de novo reeditar tão ternos e felizes momentos.

quarta-feira, setembro 01, 2010

A CASA DOS PORTUGUESES E O COLÉGIO DE KINSHASA

A Casa dos Portugueses foi fundada a 25 de Fevereiro de 1947, sob a forma de Sociedade Cooperativa, conforme os Estatutos submetidos às autoridades do país, em 18 de Abril de 1947 e aprovados pelo decreto lei nº 11/187/16/10J, de 17 de Março de 1952.
De 1947 a 30 de Junho de 1960, a Casa dos Portugueses constituía um centro de convívio social da Comunidade aqui residente, tendo como principais actividades: a organização de vários festejos populares, exposições de natureza comercial, a prática de algumas modalidades desportivas e recolha de fundos para aquisição de uma propriedade destinada à construção da Sede do Clube e campos de jogos.
Em 6 de Setembro de 1965, foi decidido abrir uma Escola que pudesse resolver o problema que sempre se pôs à Comunidade e que, apesar da dedicação individual de algumas pessoas (Professoras), que particularmente leccionavam em suas próprias casas ou em precárias instalações, ia subsistindo sem que se conseguisse suprimir as necessidades das respectivas crianças e jovens.
Perante este cenário, em 6 de Outubro de 1965, o Colégio Português de Kinshasa abriu as suas portas, pela primeira vez com 37 alunos, confiados a duas professoras, tendo o respectivo ano lectivo terminado com um total de 54 alunos.
Por consequência das pilhagens ocorridas em Setembro de 1991, uma grande parte da Comunidade Portuguesa residente no Zaire (actual R.D. Congo), confrontada com a perda dos seus empregos, a instabilidade e a insegurança reinantes na época, foi obrigada a sair do País arrastando consigo uma parte significativa dos alunos que até então estudavam no Colégio Português de Kinshasa.
Ao fim de 5 anos, foi eleita a nova Direcção, animada por um forte espírito de equipa e com muita vontade em servir a comunidade portuguesa, procurou dar vida à instituição organizando para isso vários eventos desportivos, convívios entre as várias comunidades procurando com os poucos meios e recursos financeiros de que dispõe, reparar os estragos provocados pelos sucessivos acontecimentos acima referidos.
Para dar uma melhor formação aos filhos de portugueses, contratou novas professoras. Além do funcionamento normal de todo o projecto escolar, a direcção resolveu criar, com o apoio das professoras, um curso de Cultura e Geografia de Portugal, para os alunos, filhos de portugueses, que se encontram a estudar em escolas estrangeiras para que estes nunca percam a sua ligação à pátria e para lhes facilitar uma melhor integração.
Fonte: Escola Portuguesa de Kinshasa

sexta-feira, agosto 20, 2010

OS CAMINHOS SINUOSOS DA HISTÓRIA



"...Na galeria da História, há nomes que não esquecem e outros que até deixam saudade. Salazar é um deles! Por isso é que de todos os lados, inclusivamente gente da oposição, que outrora o combateu, ao ver o descalabro em que Portugal se afunda, clama. "Quem dera outro Salazar". É Portugal a vingá-lo do camartelo destruidor da revolução ignara (…)"
(…) Nem sempre a pedra tumular fecha o palco da vida. Os actos que tantas vezes se ensaiaram e representaram, as cenas do quotidiano de que se fez história, deixaram a "suspense" no clímax do seu desaparecimento, levando os espectadores a interrogar-se como em acção de narrativa aberta: e depois?
Já lá vão catorze anos que se finou Oliveira Salazar, personagem principal da cena política portuguesa durante algumas décadas. Mas o túmulo, se lhe guarda os despojos, não lhe encerra a alma nem a obra,
que continuam vivas: a alma em Deus, e a obra na lembrança de todos os bons Portugueses e na realidade visível do torrão nacional, onde, mesmo mudando-lhe o nome ou cobrindo-a de adjectivos grotescos, na
tentativa de a desvirtuar, clama bem alto que foi uma época de progresso a todos os níveis; época em que o nome de Portugal era pronunciado com respeito em toda a parte, menos pelos bandoleiros internacionais que, ao menos, o temiam, e pelos inimigos e falsos amigos que não toleravam a altivez dada pela independência de quem, não se sujeitando á canga que pretendiam impor-nos sob a aparência
de liberdade, democracia e modernização, poderia colocar como divisa da sua governação o grito célebre de José Régio nas estrofes gloriosas e imortais do Cântico Negro: "Não vou por aí (…)”
Padre Cândido de Azevedo numa homilia na capela do Vimieiro onde, com o cónego Simões Pedro, concelebrou uma missa.

quarta-feira, agosto 18, 2010

REEDIÇÃO DA FEIRA ANTIGA




FOTOGRAFIA DA MINHA INFÂNCIA


Nesta fotografia, quando me vejo, julgo que ela deve ter sido tirada em 1938 ou princípios de 1939.
O grupo era uma espécie de “milícia” sem armas…
A ideia partiu de um senhor que se chamava Germano que era uma homem um pouco misterioso. Lembro-me que a certa altura desapareceu da aldeia e só passados muitos dias apareceu dizendo que tinha estado em meditação algures na serra do Caramulo!
Alguns atribuíram tal facto a um amor não correspondido enquanto outros o encaravam como um devaneio de pessoa com pouco juízo!
O certo é que o Germano reuniu todos os rapazes que estão na fotografia de braço estendido, fazendo continência, e começou a dar-lhes lições como se tratasse de tropa a sério. Os que estão por detrás, os mais velhos, eram os que apoiavam a ideia.
Todos os sábados havia exercícios e lá estávamos todos. Marcar passo, marchar, fazer ginástica era o programa daquela “força de ataque”.
A princípio, marchávamos sem arma, mas um dia o Germano lembrou-se de ordenar que cada qual deveria fazer uma espingarda de pau para com ela marchar. E todos obedeceram!
No exercício seguinte lá estávamos todos de arma ao ombro, prontos para o desfile…
E era uma festa aos domingos, de tarde, desfilar pela rua principal da aldeia.
Naquele tempo poucas ou nenhumas distracções havia nas aldeias e tudo o que quebrasse a monotonia do dia a dia, era motivo de festa e até de admiração por parte dos mais idosos. Afora o jogo do pião, da bilharda e do finto, poucos mais entretenimentos havia e daí que toda ou quase toda a aldeia viesse ver a “tropa” e bater palmas à passagem daqueles intrépidos soldados!...
Bons tempos esses…
Mais tarde o Germano constituiu família e lá onde ele estiver aqui deixo uma breve prece para que ele esteja em paz, ele que, durante um período da sua vida, cedo, nos começou a preparar para a “guerra…”

sábado, julho 17, 2010

Resposta a um Marciano

Não têm conta as “mensagens” que já recebi ao longo destes últimos vinte anos e todas motivadas pelos rabiscos com que semanalmente esborrato um pequeno espaço neste Jornal.
Por intermédio de cartas, telefone e agora através das modernas tecnologias, Internet e telemóvel, raro é o mês em que não receba uma ou duas dessas pérolas.
Confesso que é com prazer que as recebo, apesar de algumas, por vezes, ultrapassarem os limites da boa educação.
Tenho recebido de tudo, mas as venenosas são as mais frequentes. Regra geral não lhes dou grande importância. Dalgumas até gosto. É sinal de que existo… pedindo desculpa, claro, ao filósofo e matemático francês pelo abuso na aplicação da paráfrase.
Das muitas que tenho recebido, escolhi a mais recente registada no livro de visitas do Jornal e que reza assim:
“Há muito que penso escrever-lhe, mas agora que terminei de dar aulas aos meus alunos, a ideia concretizou-se e aqui estou.
Há anos que o leio e aprecio a sua maneira de escrever. A sua escrita é fluente e a ironia que por vezes sobressai das suas crónicas dá-lhes tal sabor que apetece ler até ao fim!...
Mas…
Vou ser sincero e dizer-lhe que tudo isso se esfuma, pois o seu saudosismo e o seu apego ao antigamente é tal que lhe rouba o estilo e o coloca ao lado dos mais inveterados fascistas que conheço. Não sei a sua idade, mas pela foto deve andar nos “entas”. O senhor não pode com os políticos de agora, mas deve ter em casa uma vela acesa em frente da foto do Salazar a quem se tem referido, como de um santo se tratasse!
Adivinho que se deve ter arranjado nesse tempo do ditador e que agora é dos “convertidos” com bom salário, boas regalias e uma boa vida. Mas isso à custa dos que trabalham a sério. É bom dizer mal dos nossos políticos, mas se não fossem eles o senhor não teria o estatuto que tem que lhe permite viver à grande, com “escravos” para lhe fazerem a papinha e no fim do mês é só arrecadar as notas.
Já tivemos na nossa história cristãos novos, agora há os fascistas convertidos por interesse….
Apesar de tudo continua a escrever. Pelo menos pelo bom português que nos oferece…”
Ele há coisas!... Como é que o autor do “miminho“ conhece tão bem a minha vida! Incrível! Acertou em cheio em quase tudo. Só faltou acrescentar as minhas três reformas, o motorista privativo, o cartão de crédito sem limite, as casas na praia e a minha empresa numa off-shore ali prás bandas da ilha do Fidel.
Também se esqueceu de que o “santo”a que se refere não mora em minha casa, mas está bem presente na memória de todos – na dos pobres e na de muitos políticos ricos. Na dos primeiros, porque estão cada vez mais pobres e na dos segundos, porque não lhe perdoam por ele ter morrido pobre. É um mau “exemplo”para a classe…
Vejo-o tão acérrimo defensor dos nossos políticos que me atrevo a perguntar: o sôtor vive mesmo cá no rectângulo ou já habita Marte?...

quinta-feira, junho 10, 2010

DIA 10 DE JUNHO DE 2010


Comemora-se hoje mais um 10 de Junho – Dia de Portugal de Camões e das Comunidades Portuguesas.
Foi a partir de 1933 que o dia 10 de Junho começou a ser festejado a nível nacional como dia de Camões.
E foi a partir da inauguração do Estádio Nacional do Jamor, em 1944, que Salazar acrescentou ao Dia de Camões e de Portugal, o Dia da Raça, tornando-se este epíteto, a partir de 1963, uma homenagem às Forças Armadas Portuguesas numa exaltação da guerra e do poder colonial.
Em 1978, a Terceira República, converteu-o no Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas. Fora com a Raça!...
Há 30 anos, em 10 de Junho de 1980, fui escolhido pela Embaixada Portuguesa de Kinshasa para representar a Comunidade Portuguesa do Zaire nas cerimónias que se realizaram, nesse ano, em Leiria.
Era Presidente da Republica o General Ramalho Eanes e Chefe do Protocolo, António Monteiro que começou a sua carreira diplomática na nossa embaixada em Kinshasa. Saímos no dia 8, Domingo, para Fátima onde estivemos alojados num hotel durante os dias em que decorreram as cerimónias que, como acima disse, se realizaram em Leiria.
Recordo-me que o tempo estava invernoso e frio, tal como acontece hoje. As festividades foram simples, sem a pompa e todo o aparato que hoje têm. Uma sessão solene no teatro da cidade seguida de uma tarde de variedades, em que “As Doces” esse conjunto que faria sucesso, fez uma exibição que mereceu uma calorosa e prolongada ovação de todos os presentes. Houve também a inauguração de uma estátua de Camões num dos jardins de Leiria a que foi dado o nome de Jardim de Camões. A estátua tem a particularidade de ser feita em betão.
Folheando o meu Diário desse ano encontro escrito que no dia do regresso, dia 11, me encontrei com o empreiteiro para fazermos a marcação da casa onde hoje habito!...
Mas voltando ao 10 de Junho, e à questão da amputação da “Raça”não resisto a fazer uma transcrição das “Farpas”:
‘(…) A raça portuguesa, por mais decaída que a consideremos pelo abastardamento dos elementos que a formaram, é ainda hoje consideravelmente menos absorvível do que absorvente. (…) O Português constitui um tipo inteiramente especial no grupo indo-europeu. Ele é sentimentalista, idealista, galã, dado a aventuras e a viagens como Preste João, como Fernão Mendes, como o Infante D. Pedro, como Camões. É sóbrio e é rijo. Tem o dom sociável e fecundo de amar e se fazer amado, e é singular a sua facilidade de adaptação a todos os meios biológicos e sociais, bem como a sua enorme força de resistência à fadiga, à fome, a todas as privações da vida e a todas as hostilidades da Natureza. De resto, propenso à rebeldia, leviano, gastador, volúvel e inconstante. Durante o século XVII, depois de célebre pelos seus grandes feitos de guerra, de navegação e de conquista, era proverbial em Espanha a sua melosidad y derretimiento em amores. Quevedo dizia que de portugueses não ficariam torresmos no fogo do Inferno, porque havendo lá mulheres, os Portugueses derreteriam completamente, não deixando como vestígio mais que uma simples nódoa no chão. (…) “
Talvez motivado pelas varações do tempo (chove e está frio) deve ter ocorrido qualquer incidente a nível dos meus neurónios, que me impede de continuar a raciocinar convenientemente.
Paro por aqui prestando uma homenagem ao nosso Camões, que com um só olho via mais do que muitos com dois. Que morreu pobre, mas que todos agora enchem a boca com o seu nome!
Lembram-se dos tempos em que ele foi banido dos livros escolares? O passado de um Povo é coisa que não se apaga quer pela imposição de ideologias, quer por meio de leis. Como Camões outros há. Mas só com o tempo os seus nomes tomarão o devido lugar nas páginas da nossa História…

quarta-feira, maio 26, 2010

Ó TEMPO VOLTA PRA TRÁS...


Curso de Sargentos Milicianos 1947 - 1948
Dedicado à nossa caserna no Regimento de Lanceiros 2, em Lisboa, principal centro turístico da bicharada do sítio, orgulhosamente ornamentada com teias do bicho aranha…

Feita de tábuas mascaradas,
Há bicharada a granel,
Há duelos, coboiadas,
Como não há no quartel.
Há orquestra privada,
Barulho quanto se queira,
Diverte-se a rapaziada
Cada qual à sua maneira.
A mobília é da mais fina
Com requintes de beleza:
Não faltam jarrões da China
E belas camas à francesa!
Enxergões de suma-pau
Com turistas em passeio,
E pra isto não ser tão mau
Há ainda pulgas pelo meio.
O soalho é encerado
E o seu brilho divinal,
Aqui e além escarrado
Mas isso não é por mal.
Há quadros emoldurados,
De negros, heróis cavaleiros,
De faquires, reis destronados
E de mais outros parceiros.
Plantas das mais variadas,
Ricas cadeiras, canapés,
Passadeiras estilizadas
Onde eu nunca pus os pés.
Espelhos há muitos, então,
Mas esses não têm limpeza
Pra não se sentir comoção
Ao ver tamanha magreza!...
De noite, a bicharada
Ataca com precisão:
Objectivo: - Rapaziada.
Resultado: - Comichão!...
Belém, Lanceiros 2 – 25-11-1947

segunda-feira, maio 24, 2010

FAMÍLIA DISPERSA - 1964

Vida esfarrapada
Manta de retalhos
Um mundo disperso
Bocados da alma
Por todo o Universo!

O pensamento inconstante
Sem saber onde parar
A alma sempre distante
E o coração a chorar!...

Quando virá, enfim, esse dia
Que o nosso mundo fique juntinho
Que nossa alma cante de alegria
E que nenhum se sinta sozinho?!...

O Velhinho

Nas árvores frondosas
Nas pétalas sedosas
De várias cores
Cantam as aves
Em trinados suaves
Os seus amores.

Além as crianças
Em jogos e danças
Atroam os ares
E acordam o dia
Com a alegria
Dos seus cantares.

Num lago em frente
Está muita gente
Olhando os peixinhos
E num banco sentados
Os namorados
Trocam carinhos.

E só um velhinho
Num banco sozinho
Sorrindo e chorando
Sente a saudade
Da mocidade
Que vai recordando…