domingo, março 07, 2010

Relendo Fernando Pessoa

A felicidade exige valentia

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes, mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história. É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma. É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um 'não'. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.
Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo...
Fernando Pessoa

terça-feira, março 02, 2010

Les caresses des yeux

Les caresses des yeux sont les plus adorables;
Elles apportent l'âme aux limites de l'être,
Et livrent des secrets autrement ineffables,
Dans lesquels seul le fond du coeur peut apparaître.

Les baisers les plus purs sont grossiers auprès d'elles;
Leur langage est plus fort que toutes les paroles;
Rien n'exprime que lui les choses immortelles
Qui passent par instants dans nos êtres frivoles.

Lorsque l'âge a vieilli la bouche et le sourire
Dont le pli lentement s'est comblé de tristesses,
Elles gardent encor leur limpide tendresse:

Faites pour consoler, enivrer et séduire,
Elles ont les douceurs, les ardeurs et les charmes!
Et quelle autre caresse a traversé des larmes?
Auguste Angellier (1848-1911)

domingo, fevereiro 28, 2010

Recordações de África - XVIII Aniversário da "STAR"



Recordações de África - 60 Anos da ASK

Os 60 anos da ASK – a Associação dos Portugueses residentes no Zaire – foram comemorados com vários actos, alguns dos quais recordam a Terra-Mãe distante e os hábitos das suas gentes. Houve várias competições desportivas, sessões de cinema, quermesse e outras manifestações com características tipicamente portuguesas.
Fundada com o nome de Amicale Sportive Portuguesa por um grupo de portugueses, entre os quais se evocam o nome de Raul Saraiva, Florindo Dias Serra e António Horta, a Amicale Sportive Kinoise é hoje uma das mais antigas Associações desportivas da capital zairense.
Em livro recentemente editado nesta cidade, sob o título «Kinshasa ce village d’hier», no capítulo dedicado ao desporto, salienta o autor que já em 1920 os encontros de futebol entre a Amicale Portuguesa e outras duas formações então existentes – Les Coqs e L’Etoile – atraíam grande número de espectadores. (…)
(Extracto de uma reportagem de Manuel Ventura da Costa, no antigo Semanário “TEMPO”, em 2 de Agosto de 1979)

terça-feira, fevereiro 23, 2010

TRANSCRIÇÕES

" FAZER OITENTA ANOS, QUE LINDO!...

Há pessoas em que os anos se vão sucedendo só no corpo; o espírito continua jovem.
A Juju, amiga e companheira do Rotary Club de Tondela – a sua segunda família –, a quem me ligam laços de muita amizade, assim como a seu marido, o meu amigo Manel (que pela modéstia com relutância aceitou este relato), fez no passado dia 11 oitenta anos, mas é como se os não fizesse, pois a jovialidade com que vive e partilha amizades, não faz supor essa idade.
E seu marido, um pouco mais velho, usa o mesmo “tratamento”, ou seja a idade está só no B.I., já que o espírito, o interesse por tudo o que o rodeia, a lucidez com que esgrime as palavras e as conversas são também de alguém, como a esposa, na flor da idade mental e de bem com a vida. Estão bem um para o outro.
Para comemorar – e para comemorar não há nada melhor que estarmos reunidos à volta de uma mesa – houve reunião nos 3 Pipos, no Sábado, dia 13.
O casal, os filhos – um dos quais completava nesse dia mais um aniversário – e netos (que são o seu enlevo), os parentes e os amigos, com um grande grupo de companheiros do Rotary a que tanto está ligada, ali estiveram irmanados pelos valores que entroncam na família e na amizade, pela alegria do momento, pela partilha de sentimentos, pelos saberes que ajudam na caminhada e aproximam os horizontes, mas também pelos “sabores”que fortalecem a companhia e reforçam as relações.
E o que se passou naquela tarde, no Restaurante 3 Pipos, com mais de 40 familiares e amigos a sentirem no peito o aconchego da família alargada, foi um momento lindo que só uma vida cheia é capaz de motivar.
Feliz de quem tem a graça dos seus anos continuarem a ser Primaveras, por saber ir buscar a felicidade à seiva que emana das raízes dessa felicidade.
Feliz, também, pela família, mas igualmente pelos amigos que soube granjear.
AL "

(Do Jornal de Tondela, Edição n.º 984 de 25 de Fevereiro de 2010)

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Oitenta Anos!...




Há quem diga que a partir de uma certa idade os anos se desfazem, mas não se fazem…
Numa linguagem mais popular quer isto dizer que a partir de um determinado número de Invernos não tem lógica comemorar o dia em que nascemos.
Felizmente que nem todos são dessa opinião e, quanto a mim, quantos mais forem os anos, mais razão há para assinalar o dia em que demos os primeiros vagidos e acrescentámos mais uma unidade às estatísticas natalícias.
Vem este intróito a propósito da comemoração dos 80 anos da minha chefe, à qual rendo homenagem e com a qual tenho colaborado ao longo de quase sessenta anos na realização de vários projectos.
Por escritura lavrada a 14 de Abril de 1951, iniciámos a nossa parceria e um ano depois víamos realizado o nosso primeiro sonho. Após quatrocentos e cinquenta dias, repetíamos a façanha e já com dois pilares edificámos a estrutura que iria dar continuidade à nossa descendência.
Entretanto, a Vida, alterada no seu rumo por ventos adversos e rajadas imprevisíveis viu o seu rumo desviado e algumas coberturas cederam sem, contudo, atingir a estrutura base que sempre resistiu a esses traiçoeiros vendavais.
A obra foi avançando e sem qualquer recurso a novas tecnologias a tribo foi-se expandindo naturalmente e apesar dos “desaires” acima mencionados, conta hoje com 10 elementos efectivos e um aspirante, num total de 11.
A comemoração reuniu, além dos elementos da tribo, familiares da minha chefe e respectivos consortes, assim como uma plêiade de Amigos companheiras e companheiros do Clube Rotário da cidade…
Foi uma festa bonita, uma reunião de família, um convívio onde tudo se misturou – emoção, alegria, amizade e sobretudo muito, mas muito carinho. Todos os ingredientes para que a minha chefe se sentisse feliz. E mais ainda porque um elemento da tribo, o primeiro projecto, festejava também nesse dia o seu aniversário!
Com votos de muita saúde, aqui fica, para os dois aniversariantes, o registo do dia 11 e a comemoração do dia 13 de Fevereiro de 2010.

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Uma pausa durante a caminhada

Porquê?!...
A crise que estamos a viver não é unicamente económica e financeira, mas também filosófica e espiritual e obriga-nos a interrogações plurais:
O que é que é preciso para que o ser humano seja feliz? O que é que pode ser considerado como verdadeiro progresso? Quais as condições necessárias para uma vida social harmoniosa?!...
Contra a actual visão puramente materialista do homem e do mundo, Sócrates, Jesus e Buda são os três mestres da vida. Uma vida que eles não limitam nunca a uma concepção hermética e dogmática.
E é por isso que as suas palavras através dos séculos continuam pertinentes e actuais.
Os três, superando as suas divergências, acabam por estar de acordo no essencial: a existência humana é preciosa e cada um de nós, venha ele de onde vier, é convidado a procurar a verdade, a conhecer-se profundamente, a tornar-se livre, a viver em paz consigo mesmo e com os outros.
Se interiorizarmos esses conceitos talvez encontremos a resposta à pergunta que fazemos muitas vezes, baixinho, para que ninguém nos ouça: Por que é que eu não sou completamente feliz?!...
O que eles disseram:
Nos jeunes aiment le luxe, ont de mauvaises manières, se moquent de l’autorité et n’ont aucun respect pour l’âge. À notre époque, les enfants sont des tyrans.»
Socrate
Rester en colère, c'est comme saisir un charbon ardent avec l'intention de le jeter sur quelqu'un ; c'est vous qui vous brûlez.
Bouddha
Aimez-vous les uns les autres.
Jésus de Nazareth






segunda-feira, fevereiro 08, 2010

A Fotografia


A fotografia é a de um cidadão português que foi visto em 13 de Abril de 1942 numa Vila da Beira Alta, quando tinha dezasseis anos.
Desde essa data várias pessoas afirmam tê-lo visto, ao longo dos anos, em diversos pontos do Mundo, nomeadamente em África e em alguns países europeus.
Ultimamente parece ter sido visto numa aldeia portuguesa, mas não há a certeza de que se trate do mesmo cidadão, pois após 68 anos da data em que foi tirada a fotografia, é difícil afirmar com verdade se se trata da mesma pessoa.
O cidadão “avistado”, velhote e desgastado pela “erosão” do tempo, embora apresente parecenças fisionómicas com o rosto da foto, não tem quaisquer semelhanças sobretudo no que diz respeito ao couro cabeludo!...
Além disso, enquanto o rapazinho da foto era solteiro, o velhote “avistado” tem uma catrefada de descendentes entre eles dois filhos casados, uma nora presente, duas ausentes, três netas e dois netos homens.
Como não é possível encontrar o jovem após todos estes anos, a família parece ter-se afeiçoado ao tal velhote “avistado” e a afeição é recíproca. E anos após ano, mês após mês, dia após dia, todos juntos, com a ajuda de Deus, eles vão partilhando e saboreando todos os momentos – os bons e os menos bons! …

sábado, fevereiro 06, 2010

Passado e Presente

Por mais triste e ingrato que tenha sido o nosso passado, ninguém, apesar disso, o poderá desprezar ou esquecer. E isso porque além de ele constituir o alicerce do presente contribuiu também de forma decisiva e determinante para a formação da nossa identidade pessoal.
As nossas penas e as nossas alegrias dependem muitas vezes de comparações que fazemos entre os dois. E, quase sempre, as alegrias do presente fazem esquecer as penas por que passámos. Com uma lágrima de vez em quando, confesso!...
Mas por mais esforço que façamos para o esconder, há sempre, dentro de nós, um pouco do passado, um pouco da criança que fomos. Há sempre um sorriso esquecido, um sorriso que não cresceu, um sorriso que ficou menino. Há sempre dentro de nós um petiz sensível que bate palmas ao seu herói preferido, embora o faça quase sempre em silêncio, não vá o montão de anos desabar e fazer com que o sonho acabe!
O mundo está perigoso. E hoje, talvez "contaminado" por esta onda avassaladora de insegurança e medo, enojado por todo este vedetismo saloio, por este snobismo sem limites, assistindo impotente a todos estes desmandos e a todo este conjunto de males que devoram o humanismo, apetece-me me sonhar...
E regresso à rua da minha infância. E recordo os putos de outrora e os jogos: o do pião, o da bilharda, o da cabra-cega, o do lencinho, o dos pinhões (par ou pernão?...), o do botão, o da malha, o da macaca...
O chiar dos carros de bois, o cheiro da terra, do estrume, o som dos socos nas pedras da calçada cobertas de gelo no Inverno, as noites longas à luz de petróleo, à luz da vela... A lareira com as panelas de ferro de três pés e, lá dentro, a fumegar, o caldo inigualável de minha Mãe...
A Primavera com o seu manto verde, as orvalhadas matinais, as ladainhas, o cheiro das primeiras rosas, o chilrear da passarada, os ninhos... O Verão com as noites quentes, os banhos nos açudes e nas "poças", as regas, a azáfama das colheitas, as desfolhadas... No Outono as vindimas, o cheiro do mosto vindo do tanque da adega onde fermentavam os cachos...
Mas... qual silhueta de barco distante que navega no mar da minha existência e que vai desaparecendo lá no horizonte, também o sonho se desfaz e a realidade bate à porta!
E eis-me de novo nesta sociedade de consumo e de competição desmedida onde o capitalismo selvagem, o egoísmo, a falta de escrúpulos e um pragmatismo tecnocrático dominante, favorecem cada vez mais as classes ricas e fazem aumentar em cada instante que passa, os pobres e os excluídos. Quanto a velhos, eles são já tantos que começa a não haver lugar onde os “depositar”!...
Segundo uma reportagem de há dias, num jornal diário, são já cinquenta e dois mil os que vivem em lares de idosos. E há listas de espera…Se a estatística incluísse todos os que vivem em suas casas com carências de toda a espécie, estou convencido que esse número quadruplicaria.

domingo, janeiro 17, 2010

É Domingo e chove...


Da minha janela...
É Domingo. Chove. Continua a chover… Um Inverno com muita chuva, dias pardacentos, uns frios outros mornos, mas sempre com esta humidade peganhenta, que nos afecta psicologicamente e nos torna ainda mais deprimidos.
Lembro-me dos Invernos da minha infância e recordo os homens que mesmo com chuva e frio, à força da enxada, preparavam a terra para semear o pão. Homens que com as próprias mãos moldavam a paisagem, reflectindo no quadro vivo da Natureza a sombra da sua presença.
Esses homens sem nome, e as mulheres fiéis e submissas que lhes davam os filhos – filhos lavradores, soldados, marinheiros, pastores, operários e, de vez em quando, um médico, um advogado, um juiz, um engenheiro e um padre que os baptizava, casava, acompanhava, e os absolvia de todos os pecados na hora da morte.
Esses homens que com as próprias mãos, ergueram as suas casas para abrigar e proteger a família dos frios de Inverno e construíram as suas capelinhas onde entronizavam os seus santos.
Esses homens dos quais hoje apenas resta a memória e que enfrentaram com coragem as tempestades da vida da mesma forma que ajoelhava humildemente na capela que construíram.
Esses homens que praguejavam ou rezavam com a mesma naturalidade com que semeavam ou colhiam; que festejavam o nascimento de um filho, que transportavam o andor do Padroeiro, que enterrava os seus mortos com a mesma angústia com que viam as suas colheitas destruídas pelas forças da Natureza!
Hoje, perante todo o progresso, toda a maquinaria moderna, mais admiro essa gente, compreendo a sua gesta heróica, e curvo-me perante todos os seus sacrifícios. Revivo com ela os seus momentos de alegria e de tristeza, porque essa é a herança sagrada que nos legou e com ela a sua presença continua viva em cada parede que lhe sobreviveu, em cada palmo de terra que amanhou e se transformou no pão que a alimentou.
São todos esses homens de então, de todas as madrugadas, de todas as chuvas, de todas as neves, que fizeram do desconhecido a aldeia que hoje habito, que abriram a pulso os caminhos que hoje percorro, ou percorremos todos, nesta aldeia que é Portugal.
É quase meio-dia e continua a chover. Nesta ronda pela infância e adolescência muita coisa ficou por dizer, mas uma vez por outra gosto de revisitar o passado…
Servindo-me das palavras de Margarite Yourcenar: “Quando amamos a vida, amamos o passado, porque ele é o presente tal como sobreviveu na memória humana…”

sexta-feira, janeiro 15, 2010

Coincidências


Sexta-feira, dia quinze, 21 horas, chove lá fora, está frio, mas aqui onde estou, o mercúrio do termómetro estacionou nos 20 graus!
Foi há pouco, aqui neste quente cantinho, que assisti a mais uma sessão de circo. Que me desculpem os verdadeiros palhaços aqueles que são obrigados a fazer palhaçadas para sobreviver.
Estes que acabo de ver e ouvir, são “palhaços” ricos, bem vestidos, estômagos bem aconchegados, contas bancárias bem recheadas, não têm necessidades. Nada lhes falta! Ou melhor, falta-lhe o melhor: falta-lhes o sentido da responsabilidade, da honra, da solidariedade, da honestidade, enfim, faltam-lhes todos os predicados que distinguem os racionais dos irracionais!
A discussão tinha como tema a discussão para a viabilização do Orçamento do Estado. E como é vergonhosa, baixa, reles, manhosa, hipócrita, a maneira como se comportaram os homens (?) que nós, ou melhor, que alguns cidadãos cá deste rectângulo, deste antro de podridão, elegeram para nos representar!
Como escrevi há dias, estamos rodeados de gente sem escrúpulos, desonesta, traiçoeira, egoísta e corrupta. Estamos a envelhecer sem fé, sem amor, sem garra, sem vontade própria, acreditando apenas em números e estatísticas.
Estamos nas mãos dessa gente manhosa, dessa gente que tem mais jantares que barriga, mais dinheiro que o necessário, enquanto dois milhões de portugueses vivem com uma mísera quantia de 300 euros!
Lembram-se de George Orwell e da “Democracia dos Porcos”?... Vamos recordar um pouco, em sinopse:
“O Estado controlava o pensamento dos cidadãos, entre muitos outros meios, pela manipulação da língua. Os especialistas do Ministério da Verdade criaram a Novilíngua, uma língua ainda em construção, que quando estivesse finalmente completa impediria a expressão de qualquer opinião contrária ao regime. Uma das mais curiosas palavras da Novilíngua é a palavra duplipensar que corresponde a um conceito segundo o qual é possível ao indivíduo conviver simultaneamente com duas crenças diametralmente opostas e aceitar ambas. Os nomes dos Ministérios em 1984 são exemplos do duplipensar. O Ministério da Verdade, ao rectificar as notícias, na verdade estava mentindo. Porém, para o Partido, aquela era a verdade. Assim, o conceito de duplipensar é plausível a um cidadão da Oceânia.
Outra palavra da Novilíngua era Teletela, nome dado a um dispositivo através do qual o Estado vigiava cada cidadão. A Teletela era como que um televisor bidirecional, isto é, que permitia tanto ver quanto ser visto. Nele, o "papel de parede" (ou seja, quando nenhum programa estava sendo exibido) era a figura inanimada do líder máximo, o Grande Irmão.
No livro, Orwell expõe uma teoria da Guerra. Segundo ele, o objectivo da guerra não é vencer o inimigo nem lutar por uma causa. O objectivo da guerra é manter o poder das classes altas, limitando o acesso à educação, à cultura e aos bens materiais das classes baixas. A guerra serve para destruir os bens materiais produzidos pelos pobres e para impedir que eles acumulem cultura e riqueza e se tornem uma ameaça aos poderosos…”
Qualquer semelhança com o que se está a passar cá no rectângulo, não é pura coincidência…

domingo, janeiro 10, 2010

Cai neve no meu quintal


Há muitos anos que não via cair neve no meu quintal. De manhã, quando fui à janela, havia neve no chão e os flocos caíam, e vinham juntar-se ao tapete branco que cobria a relva.
Espectáculo deslumbrante!...

Fomos até à Serra do Caramulo, mas só conseguimos ir até Pedronhe. Era tanta a neve, e havia tanto gelo na estrada que demos meia volta e regressámos à base… em 1.ª, sem tocar no travão!
Mas chegámos sãos e salvos!...
Aqui ficam duas fotos do lindo cenário que a Natureza nos ofereceu…

sábado, janeiro 09, 2010

Manhã de geada


Sábado, dia nove de Janeiro de 2010.
São nove horas da manhã e há cerca de meia hora que deixei “Vale de Lençóis”. Quando abri a torneira para as abluções matinais, da torneira, nem pinga de água corria!
Abri a janela e, friorento que sou, quase me ia dando uma coisa… Um manto branco cobria todo o quintal e um vento frio, cortante, entrou pela janela. Estava dada a explicação. A água tinha gelado na canalização!
Vesti o roupão de Inverno, pus o gorro na cabeça e fui espreitar o termómetro que tenho no exterior, à entrada da porta, debaixo de telha – três graus negativos!
O céu está limpo, o Sol brilha, mas não há movimento na estrada. A aldeia parece ainda adormecida. Até mesmo a passarada ainda não apareceu.
Mas é bonito o espectáculo! De alguns ramos do castanheiro soltam-se gotas de água que brilham com os raios solares. É a geada que derrete.
No tanque, sobre a água, há um espelho enorme que reflecte a armação de ferro onde os ramos das videiras “choram” com o frio ou talvez porque a poda foi feita na véspera.
A relva está branquinha, e das árvores, só o azevinho, mostra cara alegra com as bolinhas vermelhas a brilharem com o Sol, contrastando com o amarelo das laranjas, que sobressaem das folhas húmidas e luzidias das laranjeiras.
São agora dez e meia, o Sol já aquece, a aldeia acordou, há movimento nas ruas, as aves saltitam de ramo em ramo. Rolas, melros e pardais cruzam-se no ar, saltitam de ramo em ramo ou escavam o chão em busca de alimento.

O Sol agora bem acordado aumenta o relevo da mancha escura que se perfila não muito longe da janela do meu quarto - a bonita Serra do Caramulo.
E como a água já corre das torneiras, vou deixar a escrita, cortar a barba e preparar-me para mais um dia frio deste mês de Janeiro de 2010.

Manhã de geada


Diário
Sábado, dia nove de Janeiro de 2010.
São nove horas da manhã e há cerca de meia hora que deixei “Vale de Lençóis”. Quando abri a torneira para as abluções matinais, da torneira, nem pinga de água corria!
Abri a janela e, friorento que sou, quase me ia dando uma coisa… Um manto branco cobria todo o quintal e um vento frio, cortante, entrou pela janela. Estava dada a explicação. A água tinha gelado na canalização!
Vesti o roupão de Inverno, pus o gorro na cabeça e fui espreitar o termómetro que tenho no exterior, à entrada da porta, debaixo de telha – três graus negativos!
O céu está limpo, o Sol brilha, mas não há movimento na estrada. A aldeia parece ainda adormecida. Até mesmo a passarada ainda não apareceu.
Mas é bonito o espectáculo! De alguns ramos do castanheiro soltam-se gotas de água que brilham com os raios solares. É a geada que derrete.
No tanque, sobre a água, há um espelho enorme que reflecte a armação de ferro onde os ramos das videiras “choram” com o frio ou talvez porque a poda foi feita na véspera.
A relva está branquinha, e das árvores, só o azevinho, mostra cara alegra com as bolinhas vermelhas a brilharem com o Sol, contrastando com o amarelo das laranjas, que sobressaem das folhas húmidas e luzidias das laranjeiras.
São agora dez e meia, o Sol já aquece, a aldeia acordou, há movimento nas ruas, as aves saltitam de ramo em ramo. Rolas, melros e pardais cruzam-se no ar, saltitam de ramo em ramo ou escavam o chão em busca de alimento.
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Manhã de geada






O Sol agora bem acordado aumenta o relevo da mancha escura que se perfila não muito longe da janela do meu quarto - a bonita Serra do Caramulo.
E como a água já corre das torneiras, vou deixar a escrita, cortar a barba e preparar-me para mais um dia frio deste mês de Janeiro de 2010.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

A NOITE DA CONSOADA

Noite de Natal. Chove. Está frio lá fora. Acabei de abastecer de lenha o fogão da cozinha. Na lareira da sala, as faíscas ressaltam dos trocos incendiados e as chamas desenham no vidro do resguardo, figuras fantasmagóricas.
Reina grande azáfama na cozinha. Prepara-se a consoada. Toda a gente trabalha. Até os mais preguiçosos…que segundo a “chefe”, são dois: tal pai, tal filho!
Descascam-se as batatas, escolhem-se as couves, cozem-se os ovos enquanto o fiel amigo, o bacalhau, jaz esparramado no fundo de uma bacia cheia de água.
Mesmo ao lado, fritam-se os sonhos, corta-se o pão para as rabanadas. Os bilharacos, alinhados numa travessa, polvilhados com açúcar e canela, já cheiram!
- É preciso descascar os alhos para a consoada, toca a andar…Cortem a broa, ponham o pão nos cestos, vejam se há azeite nos galheteiros, ponham uma cavaca no fogão e a lareira, tem lenha?!... – É a chefe a dar ordens. E ordens não se discutem…
E toda a gente gira, rodopia, e num vaivém constante entre a sala e a cozinha, a mesa vai ficando cheia.
- Falta uma travessa para as batatas, as couves estão quase cozidas e daqui a pouco vou meter o bacalhau…Não há ninguém que me ofereça um aperitivo?... – É de novo a voz de comando da Avó…

Entretanto, chega a hora de nos sentarmos à mesa: batatas com couves, ovos cozidos, bacalhau regado com bom azeite, bom vinho, e começa a ceia!
As luzes cintilam no pinheiro num dos cantos da sala e até o “menino de Jesus”, pequenino, parece espantado com tanto alarido. Há embrulhos e caixas junto ao pinheiro, mas uma ordem dada através de um telemóvel impede que os presentes de Natal sejam abertos antes do meio-dia do próprio dia de Natal! A avó não consegue calar a sua decepção e, espicaçada pela curiosidade que cultiva há décadas, faz ainda algumas tentativas para não respeitar a decisão das netas. Mas em vão…
E, a muito custo, é cumprido o pedido. Só no dia de Natal serão abertos os presentes que o Menino Jesus pôs nos sapatinhos, à sombra do pinheiro.
Come-se, bebe-se, conversa-se. A alegria é contagiante. Um ambiente totalmente natalício, que faz lembrar o meu Natal de menino… E leio o “Natal” de Miguel Torga:
“Nasce mais uma vez,
Menino Deus!
Não faltes, que me faltas
Neste Inverno gelado.
Nasce nu e sagrado
No meu poema,
Se não tens presépio
Mais agasalhado.
Nasce e fica comigo
Secretamente,
Até que eu, infiel, te denuncie
Aos Herodes do mundo.
Até que eu, incapaz
De me calar,
Devasse os versos e destrua a paz
Que agora sinto, só de te lembrar.”

sábado, janeiro 02, 2010

Natal de 2009

Noite fria. Chuvosa. O vento soprava lá fora. Dentro, a juntar ao calor da lareira, um outro calor, o da família, aquecia a casa e a alma.
Foi um Natal diferente – tanto na noite com no próprio dia. Há muito tempo que não sentia esta sensação de bem-estar, de alegria, uma espécie de magia, de paz interior que só a união da família sabe transmitir!

Quando os anos se amontoam, os movimentos se tornam mais difíceis e sentimos à nossa volta o cuidado e o carinho de todos os que nos rodeiam, é muito difícil, às vezes, suster uma lágrima atrevida a denunciar o que tentamos esconder dentro de nós!
Não sei como exprimir em palavras o sentimento de felicidade que me envolveu nessa noite e, sobretudo, nesse dia, o dia de Natal de 2009…
Servindo-me das palavras de Pedro Homem de Melo:
“Descalço venho dos confins da infância,
E a minha infância ainda não morreu...
Em face e atrás de mim ainda há distância.
Ó Menino Jesus da minha infância,
Tudo o que tenho (e nada tenho!) é Teu!”

domingo, dezembro 20, 2009

Mas as crianças, Senhor...

Cheguei agora a casa e em complemento do que escrevi de manhã e porque vi na rua da cidade crianças famintas e tiritando de frio, lembrei-me de um poema de Augusto Gil,de 1909, em "Luar de Janeiro" que transcrevo pela sua oportunidade:

A NEVE

Batem leve, levemente,
como quem chama por mim...
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim...

É talvez a ventania;
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento, com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
Há quanto tempo a não via!
E que saudade, Deus meu!

Olho-a através da vidraça.
Pôs tudo da cor do linho.
Passa gente e, quando passa,
os passos imprime e traça
na brancura do caminho...

Fico olhando esses sinais
da pobre gente que avança,
e noto, por entre os mais,
os traços miniaturais
de uns pezitos de criança...

E descalcinhos, doridos...
a neve deixa inda vê-los,
primeiro, bem definidos,
- depois em sulcos compridos,
porque não podia erguê-los!...

Que quem já é pecador
sofra tormentos... enfim!
Mas as crianças, Senhor,
porque lhes dais tanta dor?!...
Porque padecem assim?!

E uma infinita tristeza,
uma funda turbação
entra em mim, fica em mim presa.
Cai neve na natureza...
– E cai no meu coração.

Augusto Gil – Luar de Janeiro, 1909

Desabafo

Nesta manhã fria de Domingo, 20 de Dezembro de 2009, com a temperatura a rondar os dois graus positivos no termómetro que tenho à entrada da porta, aqui estou, bem quentinho, a pensar em todos aqueles que a esta hora enfrentam esta onda de frio. E penso, sobretudo nos que dormem na rua, nos que não têm agasalhos suficientes ou naqueles que são obrigados a suportar estas baixas temperaturas para ganharem o seu sustento. Sempre fui muito sensível ao frio e, por vezes, o simples facto de abrir a janela e ver o manto branco da geada que cobre o meu quintal, faz com que me sinta completamente tolhido nos meus movimentos!...
Nesta altura do Natal são muitos os apelos à solidariedade, à angariação de bens e roupas para os mais carenciados. Porém, a maior parte desses apelos são feitos, mais porque se tornou um hábito desta quadra natalícia do que por verdadeira convicção.
Há, nestas época de Natal, muita hipocrisia misturada nestas acções de pretensa ajuda aos necessitados.
E é por isso que eu me revolto contra aqueles que se dizem humildes, mas que praticam conscientemente a injustiça. Revolto-me contra aqueles que falam em Deus com devoção, mas que no fundo, elegeram como ídolos a ganância, a soberba e a inveja.
E revolto-me, sobretudo, contra aqueles que, podendo, não são capazes de praticar o bem, mas estão sempre a criticar o bem que outros fazem!
E que dizer dos que dão esmolas na rua para que todos vejam e espalham aos quatro ventos essa “caridade”hipócrita?!...
Por tudo isso urge dizer não à injustiça, à falsa compaixão, a toda essa fingida solidariedade que por aí se apregoa.

sábado, dezembro 19, 2009


Esta fotografia foi tirada em 1943 no Colégio Tomás Ribeiro em Tondela. Fizemos vários jogos com outras equipas, nomeadamente de outros estabelecimentos de ensino – Colégios de Oliveira do Hospital, Mangualde, Liceu Alves Martins – e outras equipas da época.
O Professor Pimenta, ex-jogador da Académica de Coimbra orientou-nos durante algum tempo nos treinos.
A equipa era constituída, da esquerda para a direita e de pé: Reis, Vicente, Manuel, Aureliano (Espanhol), Fausto Lobo, Almeida. De joelhos: Dionísio, Palinho, José Brás (mais tarde jogador da Académica de Coimbra) Filipe e Humberto.
Pelo que sei, o Reis, o Vicente, o Espanhol, o Lobo, o Dionísio, o José Brás, e o Humberto já faleceram. Tenho estado com o Palinho e do Almeida e do Filipe, perdi-lhes o rasto…
O Reis, encontrei-o em Kinshasa, trinta anos depois, em 1973 e só pela fotografia confirmámos que éramos nós, de tal maneira tínhamos mudado de feições!... Os anos não perdoam…

O Palinho e eu fizemos também parte da equipa de Voleibol do Colégio Tomás Ribeiro, que ficou em 2.º lugar no campeonato nacional da Mocidade Portuguesa em 1945.
Na foto:
Da esquerda para a direita: Henrique F. Marques, Amadeu Viegas, Aureliano (Espanhol), Manuel V. Costa, Jorge Amaral e António Gomes (Palinho).
O Amadeu e o Espanhol já faleceram. Há ainda (Dezembro de 2009) quatro “sobreviventes”: o Henrique, o Manuel, o Amaral e o Palinho.